Preço do café volta a disparar e indústria prevê reajuste para o consumidor em agosto
Léo Carvalho
Publicado em 7 de julho de 2026 às 14:06 | Atualizado há 20 minutos
Alta nas cotações do café é impulsionada por chuvas nas regiões produtoras, estoques reduzidos e El Niño sobre próxima safra | Foto: Divulgação
O preço do café voltou a subir com força no início de julho e pode pesar no bolso dos consumidores nas próximas semanas. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da USP, mostram que a saca do café arábica chegou a R$ 1.787,48 nesta segunda-feira (6), acumulando alta de 13,2% apenas neste mês e atingindo o maior valor registrado nos últimos 30 dias.
O movimento interrompe a tendência de queda observada ao longo do primeiro semestre. Entre março e junho, o preço médio da saca do arábica recuou de R$ 1.913,89 para R$ 1.476,77. No entanto, após atingir o menor patamar do ano, de R$ 1.383,57 em 9 de junho, as cotações passaram a subir de forma consistente.
O café robusta, também amplamente consumido no Brasil, segue trajetória semelhante. Desde abril, o preço médio da saca passou de R$ 917,05 para R$ 1.087,05, acumulando valorização de aproximadamente 18% em três meses.
Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Pavel Cardoso, caso a valorização permaneça nas próximas semanas, os consumidores deverão sentir o impacto no varejo já em agosto.
“Movimentações muito abruptas trazem grande preocupação para a indústria. Vamos acompanhar se a volatilidade devolve parte dessa alta nos próximos dias. Se os aumentos forem mantidos, a partir do início de agosto a indústria deverá realizar alguns reajustes para o varejo brasileiro”, afirmou.
El Niño ataca café
Entre os fatores que explicam a alta estão o aumento das chuvas nas regiões produtoras, os baixos estoques mundiais e a influência do fenômeno climático El Niño.
Embora seja comum ocorrer aumento das precipitações nesta época do ano, Pavel Cardoso afirma que produtores relataram chuvas acima do esperado, provocando a queda de grandes quantidades de frutos antes da colheita.
Um relatório do Itaú BBA aponta que as chuvas intensas entre maio e junho dificultaram a colheita, comprometeram a secagem dos grãos e elevaram as preocupações com a qualidade do café. Além disso, o excesso de umidade pode antecipar a florada das lavouras, influenciando a próxima safra.
Outro fator que contribui para a valorização é o baixo nível dos estoques globais. A expectativa do setor é recuperar parte da oferta com a produção deste ano. Segundo projeção do Itaú BBA, o saldo global — diferença entre a produção e o consumo — deverá crescer de 3,6 milhões de sacas na safra 2025/26 para 13 milhões de sacas na temporada 2026/27.
Já os efeitos do El Niño preocupam os produtores em relação ao próximo ciclo produtivo. De acordo com Pavel Cardoso, o fenômeno costuma provocar temperaturas elevadas e redução das chuvas em importantes regiões cafeeiras, combinação que prejudica o desenvolvimento das plantas e pode comprometer a produção futura.
No Brasil, a previsão é de que o El Niño provoque períodos de seca principalmente no Nordeste, afetando não apenas a produção de café, mas também outras culturas agrícolas, como cana-de-açúcar e frutas cítricas.