Datafolha: 24% dos eleitores de Lula têm perfil de direita e 19% dos de Flávio se posicionam à esquerda
Léo Carvalho
Publicado em 7 de julho de 2026 às 13:39 | Atualizado há 50 minutos
População tem posicionamento ideológico diferente daquele tradicionalmente associado aos dois pré-candidatos à Presidência | Foto: Ricardo Stucker/PR/Getty
SÃO PAULO, SP (Laura Intrieri/Folhapress) – A matriz ideológica elaborada pelo Datafolha revela que uma parcela significativa dos eleitores de Lula (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) está posicionada em campos ideológicos diferentes daqueles tradicionalmente associados aos dois pré-candidatos à Presidência da República.
De acordo com levantamento realizado nos dias 17 e 18 de junho, 24% dos entrevistados que declaravam voto em Lula foram classificados como de direita ou centro-direita. Já entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 19% aparecem na esquerda ou centro-esquerda.
A classificação ideológica utilizada pelo instituto não depende da autodeclaração dos entrevistados. Ela é construída a partir das respostas a 16 perguntas sobre comportamento, valores e visão econômica.
Como mostrou a Folha de S.Paulo, a identificação dos brasileiros com a direita ou centro-direita voltou a superar a da esquerda ou centro-esquerda. Segundo o levantamento, 44% dos brasileiros se posicionam à direita ou centro-direita, enquanto 39% se identificam com a esquerda ou centro-esquerda.
Lula x Flávio Bolsonaro
Entre os eleitores de Lula, a distribuição ideológica é a seguinte: 24% estão na esquerda, 36% na centro-esquerda, 16% no centro, 19% na centro-direita e 5% na direita.
Já entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 25% foram classificados na direita, 38% na centro-direita, 17% no centro, 15% na centro-esquerda e 3% na esquerda. Em razão dos arredondamentos, a soma dos grupos pode variar um ponto percentual.
O mesmo padrão aparece quando o Datafolha analisa o voto declarado no segundo turno da eleição presidencial de 2022. Entre os entrevistados que afirmam ter votado em Lula, 56% pertencem à esquerda ou centro-esquerda, 17% ao centro e 27% à direita ou centro-direita.
No grupo dos que dizem ter votado em Jair Bolsonaro (PL), 64% estão na direita ou centro-direita, 17% no centro e 19% na esquerda ou centro-esquerda.
A matriz ideológica é composta por 16 questões. Dez delas avaliam posicionamentos relacionados ao comportamento, abordando temas como pobreza, criminalidade, homossexualidade, crença em Deus, sindicatos e punição de adolescentes infratores. Outras seis analisam opiniões sobre economia, incluindo impostos, papel do Estado, benefícios públicos, leis trabalhistas e investimentos.
Entre os resultados que chamam atenção está o fato de 34% dos eleitores de Flávio Bolsonaro defenderem a proibição da posse de armas por considerarem que ela representa ameaça à vida de outras pessoas, posição diferente de uma das principais bandeiras do pré-candidato do PL.
Pensamento retrógrado
Por outro lado, 26% dos eleitores de Lula afirmam que as leis trabalhistas prejudicam mais o crescimento das empresas do que protegem os trabalhadores, entendimento que diverge do discurso do governo federal em defesa de mudanças como o fim da escala de trabalho 6×1.
A pesquisa também aponta convergências entre os dois eleitorados. A maioria dos eleitores de Lula (61%) e de Flávio Bolsonaro (81%) acredita que adolescentes que cometem infrações devem receber punições equivalentes às aplicadas aos adultos.
Além disso, cerca de sete em cada dez entrevistados de ambos os grupos defendem que o governo deve socorrer grandes empresas nacionais em risco de falência.
Na metodologia do Datafolha, comportamento e economia possuem pesos iguais na composição da escala ideológica. Com base na pontuação obtida, os entrevistados são classificados em cinco grupos: direita, centro-direita, centro, centro-esquerda e esquerda.
O levantamento ouviu presencialmente 2.004 eleitores com 16 anos ou mais em 139 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026.