El Niño ameaça produção agrícola e pode elevar preços dos alimentos em Goiás
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 2 de julho de 2026 às 13:49 | Atualizado há 2 horas
Produtos como frutas, verduras e legumes podem ficar ainda mais caros nos próximos meses | Foto: Leandro Fonseca /Exame
O avanço do fenômeno climático El Niño pode provocar novos impactos no preço dos alimentos em Goiás nos próximos meses. Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, o evento altera os padrões de temperatura e chuva em diferentes partes do planeta e, no estado, tende a agravar os efeitos da estiagem sobre a produção agrícola.
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Mesmo antes da intensificação prevista para julho, a redução das chuvas ao longo do primeiro semestre já provocou reflexos no mercado hortifrutigranjeiro. Dados da Central de Abastecimento de Goiás (Ceasa-GO) mostram que legumes, verduras e frutas registraram aumentos de preços entre maio e junho, pressionando o orçamento dos consumidores.
Segundo o gerente técnico da Ceasa, Josué Lopes, a elevação dos preços costuma ocorrer naturalmente durante o segundo semestre, período marcado pela seca. No entanto, a chegada de um El Niño mais intenso pode ampliar esse cenário, uma vez que a falta de chuvas aumenta a necessidade de irrigação e eleva os custos de produção.
“O segundo semestre já apresenta, historicamente, aumento nos preços devido à estiagem. Com um El Niño de maior intensidade, a demanda por irrigação cresce significativamente, o que encarece o cultivo, reduz a oferta e acaba sendo repassado ao consumidor”, explica.
Culturas mais sensíveis devem registrar novos reajustes
Entre os produtos mais vulneráveis à escassez de água estão hortaliças que dependem de irrigação constante, como alface, pimentão, pepino, vagem e chuchu. Conforme a Ceasa, esses alimentos já apresentaram aumentos expressivos em junho e a expectativa é de que continuem em alta caso a estiagem se intensifique.
O pimentão foi um dos itens com maior reajuste no período, acumulando alta de 40%. Também registraram aumentos significativos a cebola, com elevação de 33,34%, a vagem, que ficou 20% mais cara, e a abóbora japonesa (kabotiá), cujo preço subiu 12,5%.
As frutas também sentiram os efeitos das condições climáticas. A banana-maçã apresentou uma das maiores variações de preço, com aumento de 53,85% em relação ao mês anterior. O mamão também registrou forte valorização, alcançando alta de 52%, segundo levantamento da Ceasa. Ao todo, pelo menos 11 produtos tiveram reajustes que devem impactar diretamente o orçamento das famílias goianas.
Além das hortaliças e frutas, o El Niño pode afetar culturas de grande importância para a economia brasileira, como soja e cana-de-açúcar. De acordo com o economista Luiz Carlos Ongaratto, a combinação entre temperaturas mais elevadas e menor regularidade das chuvas pode reduzir a produtividade das lavouras e elevar os custos de produção.
Ele ressalta que os reflexos não devem se limitar aos produtos agrícolas. O encarecimento da alimentação animal durante o período de seca também pode pressionar os preços das proteínas, ampliando os impactos sobre a cesta básica. Para Goiás, a expectativa é de um período com calor mais intenso e chuvas menos previsíveis, cenário que tende a aumentar os desafios para o setor produtivo e para os consumidores.