Opinião Pública

Machismo em evidência máxima

DM Redação

Publicado em 16 de julho de 2026 às 11:08 | Atualizado há 2 horas

BY Moacir de Melo

Procurando a melhor opção para um momento de descanso, com controle remoto na mão, defronte a TV, deparei-me, de repente, com um debate muito forte veiculado por um programa do “Globo Reporter” – disponível no youtube denominado “Discurso do Ódio,”- que me deixou estarrecido: a cultura, em ascenção, com forte engajamento nas redes sociais, do machismo exacerbado onde se pontifica o recrudescimento de uma barbárie antiga a tentativa de reduzir a mulher à condição de objeto.

Sim, os números já são assustadores. Segundo a OMS e a ONU Mulheres, uma em cada três mulheres, em algum momento da vida, sofreu ou sofrerá violência física ou sexual. Já relatórios das Nações Unidas revelam que, no mundo, uma mulher ou menina é assassinada por parceiro íntimo ou familiar, em média, a cada dez minutos. No Brasil, apesar da Lei Maria da Penha e da tipificação do feminicídio, os índices permanecem elevados, expondo uma ferida social ainda aberta. Porém, limitar o debate às estatísticas seria compreender apenas a superfície do problema que é estrutural.

Sim, toda violência física é precedida por uma violência moral: antes do golpe, vem a palavra que humilha; antes do crime, instala-se a ideia de mulher objeto; antes do feminicídio, o processo de desumanização. É precisamente nesse terreno que prospera um fenômeno preocupante do nosso tempo: em determinados ambientes digitais, difundem-se discursos que ensinam jovens a enxergar mulheres como bens de consumo, classificando-as segundo critérios de aparência, utilidade ou conveniência. Fala-se em “usar e descartar”, como se a dignidade humana pudesse ser submetida à lógica descartável do mercado.

Evidente que a maioria dos jovens não compartilha dessa visão, mas basta uma minoria influente para contaminar o ambiente cultural quando o silêncio dos sensatos se torna regra. Essa degradação moral resulta da combinação de individualismo extremo, erotização precoce, banalização da pornografia e empobrecimento da educação ética. Quando o prazer se torna o único critério das relações humanas, o outro deixa de ser pessoa para tornar-se instrumento.

Certo é que a verdadeira transformação começa na formação do caráter. Família, escola, universidades, igrejas, meios de comunicação, plataformas digitais e o próprio Estado devem compartilhar a responsabilidade de reconstruir uma cultura fundada no respeito recíproco. Educar um menino para respeitar uma menina não é uma pauta ideológica; é um investimento na sobrevivência moral da própria sociedade. Sim, sim, leitores, uma civilização não entra em decadência apenas quando suas instituições fracassam. Ela declina quando perde a capacidade de reconhecer a dignidade da pessoa humana.

Por corolário, toda vez que uma mulher é reduzida à condição de objeto, não é apenas ela quem sofre a violência: é a própria civilização que se empobrece, resultando que defender a dignidade da mulher, não é defender uma causa particular e, sim, a própria ideia de humanidade. Por isso, cada um de nós, pessoas de bem, devemos contrapor aos discursos, sites e postagens em redes sociais, que procuram fomentar o mal: em especial, às mulheres, que são vítimas de misoginia e da violência. Hora de agir!…


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