Trump aprova acordo nuclear com Arábia Saudita e amplia cooperação entre os países
Heloysa Camilo - Estágio DM
Publicado em 22 de julho de 2026 às 11:58 | Atualizado há 2 horas
O acordo prevê cooperação entre Estados Unidos e Arábia Saudita | Foto: REUTERS
O governo de Donald Trump deu sinal verde para um novo acordo de cooperação nuclear com a Arábia Saudita, segundo uma autoridade dos Estados Unidos. O pacto, com validade prevista de 30 anos, pode ser anunciado ainda nesta quarta-feira (22) e será encaminhado ao Congresso americano após sua divulgação.
Pelo entendimento, empresas dos Estados Unidos fornecerão tecnologia e conhecimento técnico para o desenvolvimento do programa nuclear civil saudita. O acordo também poderá autorizar o reino a enriquecer combustível destinado aos seus próprios reatores, algo que costuma gerar debates por causa do potencial uso militar dessa tecnologia.
De acordo com a autoridade, o texto estabelece restrições ao alcance de inspeções internacionais no programa nuclear saudita, ponto que pode provocar questionamentos entre parlamentares americanos e aliados dos EUA.
A possibilidade de Riad dominar o enriquecimento de urânio também desperta preocupação em Israel, que há anos acompanha com cautela qualquer avanço nuclear na Arábia Saudita. O tema ganha ainda mais relevância diante da rivalidade regional com o Irã, que mantém seu programa nuclear e afirma que suas atividades têm finalidade exclusivamente civil.
O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman já declarou anteriormente que buscará desenvolver uma arma nuclear caso o Irã consiga produzir a sua própria.
O enriquecimento de urânio é uma das principais etapas para obtenção do material necessário à fabricação de armas nucleares. Atualmente, grande parte dos países que operam usinas nucleares civis importa esse combustível de fornecedores internacionais, como Estados Unidos e Rússia, sob fiscalização de organismos internacionais.
Washington tenta firmar um acordo de cooperação nuclear civil com a Arábia Saudita há vários anos. Durante a gestão de Joe Biden, as negociações estavam ligadas a um possível processo de normalização das relações entre sauditas e israelenses, iniciativa que perdeu força após os ataques do Hamas em outubro de 2023. As conversas voltaram a avançar com o retorno da administração Trump.
