Influenciador britânico morre após procedimento de aumento peniano na Tailândia
Léo Carvalho
Publicado em 11 de setembro de 2026 às 12:59 | Atualizado há 27 minutos
Polícia investiga clínica em Bangcoc onde Igho Ubiribo recebeu aplicação de 40 mL de ácido hialurônico antes de sofrer dores no peito e perder a consciência | Foto: Instagram
Autoridades da Tailândia abriram uma investigação sobre uma clínica em Bangcoc após a morte do influenciador britânico Igho Ubiribo, de 43 anos. Conhecido nas redes sociais pelos apelidos de “Tiny” e “Ego”, ele morreu em 6 de março, horas depois de passar por um procedimento de aumento peniano com ácido hialurônico.
A investigação foi anunciada na quarta-feira (9). Na segunda-feira (7), funcionários do governo tailandês estiveram na clínica onde Ubiribo foi atendido para verificar se o estabelecimento possuía licença válida e se seguia os protocolos exigidos pelas autoridades de saúde.
Segundo informações da agência AFP, um legista de Londres concluiu, em agosto, que a morte do empresário foi provocada pela aplicação do ácido hialurônico.
Ubiribo tinha cerca de 185 mil seguidores no Instagram. De acordo com o relatório forense britânico, ele recebia uma massagem após o procedimento quando reclamou de dores no peito e desmaiou.
Houve suspeita de embolia pulmonar. O influenciador foi levado de ambulância para um hospital, mas perdeu a consciência antes que os médicos conseguissem realizar uma tomografia. A equipe médica tentou reanimá-lo por aproximadamente 100 minutos, mas não conseguiu reverter o quadro.
Quinta aplicação
Informações fornecidas pela direção da clínica às autoridades indicam que Ubiribo era paciente do estabelecimento desde 2024. Antes do procedimento que antecedeu sua morte, ele já havia passado por quatro aplicações para aumento peniano.
Na quinta visita, realizada em 5 de março, foram aplicados 40 ml de ácido hialurônico.
Ainda segundo a clínica, o médico responsável teria recomendado que o volume fosse dividido em duas sessões. Ubiribo, porém, teria solicitado que os 40 ml fossem administrados de uma única vez.
A biomédica Mariana Éclissée, especialista em harmonização íntima, explica que a quantidade utilizada varia de acordo com o objetivo do paciente e suas características anatômicas.
Segundo ela, aplicações entre 5 ml e 10 ml podem ser utilizadas para retoques e correções de pequenas irregularidades. Para um aumento moderado, o volume costuma ficar entre 10 ml e 20 ml, enquanto procedimentos destinados a um aumento mais expressivo podem utilizar de 20 ml a 30 ml.

Acima de 30 ml, afirma a especialista, o risco de complicações aumenta.
Como funciona a harmonização peniana
A harmonização peniana é um procedimento estético realizado para aumentar principalmente a circunferência e o volume do órgão por meio da aplicação de ácido hialurônico. A substância também é utilizada em procedimentos faciais, mas, nesse caso, são empregadas formulações específicas para a região genital.
Segundo as informações apresentadas pela especialista, o procedimento pode proporcionar aumento de aproximadamente 3 cm a 4 cm na circunferência e de 2 cm a 3 cm no comprimento, embora o principal objetivo seja aumentar o volume.
A aplicação é feita com o pênis flácido e sob anestesia local. O ácido é distribuído por meio de injeções em pontos específicos, buscando uma aplicação uniforme e evitando alterações no formato do órgão.
O material utilizado para a região genital possui características próprias de firmeza e durabilidade, considerando a necessidade de acompanhar as mudanças provocadas pela ereção e a atividade sexual.
Riscos e cuidados
Apesar de ser um procedimento estético, a aplicação inadequada pode provocar complicações importantes. Entre os possíveis problemas estão infecções, reações alérgicas, deformidades e necrose, que ocorre quando há morte do tecido.
Em casos graves, a necrose pode provocar danos permanentes e até levar à necessidade de amputação do órgão.
Após a aplicação, a recomendação é evitar relações sexuais, banhos quentes e ambientes com temperaturas elevadas, como saunas, durante aproximadamente três a quatro dias, para reduzir o risco de alterações no resultado do procedimento.
O efeito do ácido hialurônico não é permanente. Em média, permanece de 12 a 18 meses, período em que a substância é gradualmente absorvida pelo organismo. Por isso, novas aplicações podem ser realizadas para manutenção do resultado.
Em situações de insatisfação ou necessidade de remoção do preenchimento, existe a possibilidade de utilizar a hialuronidase, uma enzima capaz de dissolver o ácido hialurônico. O procedimento, entretanto, pode provocar inchaço temporário.
Especialistas ressaltam que a segurança depende da indicação correta, da avaliação individual do paciente, da utilização de produtos adequados e da atuação de profissional habilitado e treinado para realizar o procedimento. (VITOR HUGO BATISTA/Folhapress)