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PF suspeita que Toffoli seja beneficiário de fundo que recebeu R$ 35 milhões de Vorcaro

Léo Carvalho

Publicado em 11 de setembro de 2026 às 12:39 | Atualizado há 34 minutos

Ministro Dias Toffoli é citado em relatório da Polícia Federal que investiga movimentações relacionadas ao Banco Master | Foto: Reprodução
Ministro Dias Toffoli é citado em relatório da Polícia Federal que investiga movimentações relacionadas ao Banco Master | Foto: Reprodução

A Polícia Federal levantou a suspeita de que o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), possa ter sido proprietário ou beneficiário final do fundo de investimento Arleen, que recebeu R$ 35 milhões de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. As informações foram divulgadas pela revista Piauí, com base em um relatório da PF encaminhado ao Supremo.

Segundo o documento, o Arleen adquiriu parte das cotas da Maridt, empresa ligada aos irmãos do ministro, José Eugenio e José Carlos Dias Toffoli. A companhia também possui participação no resort Tayayá, em Ribeirão Claro, no Paraná. Toffoli já havia admitido fazer parte do quadro societário da empresa, conforme revelado anteriormente pela Folha de S.Paulo.

A investigação aponta ainda que o fundo Arleen teria pertencido anteriormente a Vorcaro. Em fevereiro de 2025, a estrutura passou para o empresário Alberto Leite, apontado como amigo de Toffoli.

Um mês depois da aquisição, o fundo teria alterado seu regulamento para permitir investimentos no exterior. Em dezembro daquele ano, os ativos foram transferidos para a holding Égide I, registrada nas Ilhas Virgens Britânicas, território conhecido por oferecer estruturas societárias com baixa tributação.

Para a PF, o conjunto de informações reunidas durante a investigação levanta a possibilidade de que Toffoli tenha sido o beneficiário efetivo ou proprietário de fato do Arleen e de seus ativos. O relatório também menciona a utilização de pessoas interpostas e estruturas mantidas no exterior.

O gabinete de Toffoli nega as suspeitas. Em nota, afirma que o ministro nunca manteve recursos no exterior, direta ou indiretamente, e que jamais realizou operações nas Ilhas Virgens Britânicas.

O relatório da PF também apresenta suspeitas relacionadas à atuação de Vorcaro em um processo envolvendo a destilaria Alcídia, do grupo Atvos, e uma disputa por precatórios contra a União.

A empresa buscava reparação por prejuízos atribuídos a medidas adotadas pelo governo na década de 1980. De acordo com a investigação, o resultado do processo tinha importância para o Banco Master porque a instituição mantinha em seu balanço uma carteira de precatórios do setor sucroalcooleiro avaliada em mais de R$ 10 bilhões.

A PF identificou diálogos no celular de Vorcaro que, segundo o relatório, indicariam uma tentativa de influência sobre o julgamento. Entre os citados estão André Kruschewsky, diretor jurídico do Banco Master, e Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações do governo Jair Bolsonaro.

Segundo os investigadores, Kruschewsky aparentava ter acesso ao STF e poderia atuar para retirar o processo da pauta de julgamento.

Na sessão em que o caso seria analisado, o ministro Kassio Nunes Marques pediu vista. Toffoli, que era relator, registrou ausência justificada. O julgamento acabou sendo retomado posteriormente.

Na retomada, por 3 votos a 2, prevaleceu a posição favorável à Alcídia. O voto de Toffoli, favorável à empresa, acabou sendo decisivo para o resultado.

O gabinete do ministro negou qualquer alteração de posicionamento no processo.

A PF encaminhou o relatório ao presidente do Supremo, Edson Fachin. Um dos motivos apontados foi o fato de Toffoli ter sido relator do caso relacionado ao Banco Master. Além disso, ministros do STF possuem regras específicas para eventual investigação, que depende de autorização da própria Corte.

No encerramento do documento, a PF informa que o material foi encaminhado ao Supremo para as providências consideradas cabíveis. Uma das possibilidades seria a análise pelo novo relator do inquérito envolvendo o Banco Master, o ministro André Mendonça.

Questionado pela Piauí, Mendonça afirmou que o relatório não havia sido enviado a ele.

O gabinete de Toffoli, por sua vez, afirmou que o documento foi arquivado após decisão com trânsito em julgado. Também declarou que, segundo comunicação oficial do STF de 12 de fevereiro de 2026, os dez ministros da Corte tiveram conhecimento do conteúdo do relatório e das informações apresentadas por Toffoli, tanto por escrito quanto presencialmente, e decidiram não haver motivo para declarar sua suspeição.


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