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PF aponta que Vorcaro recebeu informações sigilosas antes de sua prisão

Léo Carvalho

Publicado em 11 de setembro de 2026 às 10:17 | Atualizado há 33 minutos

Vorcaro foi preso em novembro de 2025 no Aeroporto de Guarulhos, quando se preparava para deixar o Brasil em um jato particular | Foto: Reprodução/Vídeo/Esfera
Vorcaro foi preso em novembro de 2025 no Aeroporto de Guarulhos, quando se preparava para deixar o Brasil em um jato particular | Foto: Reprodução/Vídeo/Esfera

Documentos da Polícia Federal apontam que Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, teria recebido informações sigilosas sobre a investigação que culminou em sua prisão em novembro de 2025. Segundo os investigadores, mensagens, anotações e contatos registrados no celular do banqueiro indicam que ele tinha conhecimento de que poderia ser alvo da operação antes do cumprimento das medidas judiciais.

Vorcaro foi preso na noite de 17 de novembro, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Ele se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta. A prisão ocorreu um dia antes da deflagração das demais medidas previstas na investigação.

As informações fazem parte de um relatório da PF encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF). A divulgação dos documentos foi determinada pelo ministro André Mendonça, a pedido de Edson Fachin, presidente da Corte, em meio à crise institucional que envolve o tribunal.

De acordo com a investigação, os registros encontrados no telefone de Vorcaro mostram uma aproximação gradual com informações reservadas sobre o caso.

Em 17 de outubro de 2025, integrantes da Polícia Federal e do Banco Central participaram de uma reunião restrita para tratar das apurações envolvendo o Banco Master. Quatro dias depois, em 21 de outubro, Vorcaro registrou em seu celular os nomes completos de delegados, agentes da PF e procuradores da República relacionados à investigação.

Outra anotação, feita em 30 de outubro, recebeu o título de “De pessoas de dentro do Bacen que são meus amigos e ficaram preocupados”. No registro, Vorcaro afirmou que as informações recebidas eram confiáveis por terem partido de pessoas que participavam diretamente das discussões. Também escreveu que não poderia “queimá-los”.

Para a PF, os indícios de que o ex-banqueiro tinha acesso a informações protegidas também alcançaram o Judiciário. Em 16 de novembro, dois dias antes do cumprimento dos mandados, ele registrou uma pergunta sobre a eventual proximidade de um interlocutor com o juiz federal Ricardo Soares Leite, titular da 10ª Vara Federal Criminal de Brasília.

O magistrado era responsável por medidas cautelares sigilosas relacionadas à investigação.

Na manhã de 17 de novembro, véspera da operação, os investigadores identificaram uma mudança na rotina de Vorcaro. Às 7h28, ele recebeu mensagens consideradas urgentes do advogado Walfrido Warde. A partir daquele momento, segundo a PF, o banqueiro passou a organizar uma viagem para fora do país.

No mesmo dia, Vorcaro manteve contato com o jornalista Diego Escosteguy, que aparece na investigação como beneficiário de repasses financeiros relacionados ao esquema investigado.

Pouco depois das 11h, o site O Bastidor publicou uma reportagem sobre a existência de um inquérito envolvendo o Banco Master na 10ª Vara Federal do Distrito Federal. Vorcaro encaminhou a publicação a Warde.

O advogado utilizou a reportagem para apresentar uma petição urgente e pedir acesso aos autos, que estavam sob sigilo. Em mensagens trocadas naquele dia, Warde afirmou a Vorcaro que estava pressionando o magistrado responsável pelo caso por meio do WhatsApp.

Escosteguy negou irregularidades e afirmou que sua relação com o empresário citado nos autos era exclusivamente profissional. Segundo ele, os valores recebidos estavam relacionados a contratos de patrocínio e publicidade.

O jornalista também declarou que a reportagem não antecipou nem insinuou a realização de uma operação policial ou de medidas cautelares contra pessoas investigadas. Disse ainda que não houve direcionamento de conteúdo por terceiros nem comprometimento da autonomia jornalística.

Enquanto organizava a viagem, Vorcaro também teria buscado criar uma justificativa formal para deixar o Brasil naquela noite.

Segundo a PF, ele entrou em contato com Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, servidores do Banco Central apontados pelos investigadores como integrantes cooptados pelo grupo. Os dois teriam ajudado a organizar uma reunião virtual de emergência com Ailton Aquino, diretor de Fiscalização do BC.

A videoconferência ocorreu no início da tarde de 17 de novembro. De acordo com os documentos, Vorcaro comunicou a suposta venda do Banco Master ao Grupo Fictor e disse que precisaria viajar a Dubai naquela noite para assinar contratos relacionados ao negócio.

A reunião não foi gravada e não teve ata.

Posteriormente, a defesa de Vorcaro apresentou, em um habeas corpus, uma declaração assinada por Paulo Sérgio sobre o encontro. O documento foi usado para sustentar que a viagem aos Emirados Árabes tinha finalidade empresarial e não representava uma tentativa de deixar o país para escapar da investigação.

A PF chegou a outra conclusão. Para os investigadores, a reunião teria sido articulada de forma emergencial para criar uma justificativa formal para a saída de Vorcaro do Brasil.

Documentos tornados públicos também mostram que, dois dias antes da prisão, Vorcaro teria perguntado ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, se deveria deixar o país.

A saída, entretanto, não chegou a ocorrer.

Na noite de 17 de novembro, agentes da Polícia Federal prenderam o ex-banqueiro no Aeroporto Internacional de Guarulhos, enquanto ele se preparava para embarcar em um jato particular. No dia seguinte, 18 de novembro, os policiais cumpriram os demais mandados previstos na operação. (RAQUEL LOPES/Folhapress)


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