Brasil

Brasileiros vivem mais, porém passam mais anos com problemas de saúde

Fernando Henrique - Estágio DM

Publicado em 27 de julho de 2026 às 11:56 | Atualizado há 12 minutos

Pesquisa aponta que aumento da longevidade no Brasil veio acompanhado de mais anos vividos com doenças e limitações | Foto: Freepik
Pesquisa aponta que aumento da longevidade no Brasil veio acompanhado de mais anos vividos com doenças e limitações | Foto: Freepik

A humanidade está vivendo mais. O problema é que a saúde não está acompanhando esse avanço no mesmo ritmo. Um estudo publicado na revista The Lancet Public Health lançado este mês revelou que a diferença entre o tempo de vida total e os anos vividos com boa saúde aumentou em grande parte do mundo nas últimas décadas.

A pesquisa analisou dados do Global Burden of Disease 2023 (Estudo Carga Global de Doenças), uma das maiores bases de informações sobre saúde disponíveis, com estimativas para 204 países e territórios entre 1990 e 2023.

Os pesquisadores acompanharam mudanças na expectativa de vida, na expectativa de vida saudável e na lacuna entre as duas medidas, além de investigar quais doenças, lesões e fatores de risco mais contribuíram para os anos vividos em condições de saúde ruins.

Entre 1990 e 2023, a chamada lacuna de morbidade mundial aumentou de 8,8 para 10,7 anos. No mesmo período, a expectativa de vida global ao nascer subiu de 64,6 para 73,8 anos, enquanto a expectativa de vida saudável avançou de 55,9 para 63,1 anos. Ou seja, os anos de vida aumentaram, mas uma parcela desse ganho veio acompanhada de problemas de saúde.

No Brasil não foi diferente. Por aqui, a lacuna de morbidade chegou a 12,5 anos em 2023. Em 1990, era de 10,4 anos. Um aumento de cerca de 20% ao longo de pouco mais de três décadas.

Brasil está entre os países com maior lacuna de morbidade

O dado coloca o Brasil entre os países com maior lacuna de morbidade no mundo, posicionado em 16º lugar entre os 204 países e territórios analisados.

O ranking é liderado pelos Estados Unidos, com 14 anos, seguidos por Austrália, com 13,9, e Canadá, com 13,7. Entre os dez primeiros também aparecem Nova Zelândia, Holanda, San Marino, Suíça, Líbano, Reino Unido e Porto Rico.

Um dos resultados mais curiosos é que os países onde as pessoas vivem mais tendem também a apresentar as maiores lacunas. Isso sugere que prolongar a vida não garante, por si só, que o tempo adicional seja vivido sem doenças ou incapacidades.

As mulheres enfrentam uma diferença ainda maior. Em 2023, a lacuna de morbidade global foi estimada em 12,1 anos para elas, contra 9,3 anos para os homens. A combinação entre maior longevidade e maior tempo vivido com problemas de saúde ajuda a explicar parte desse resultado.

Doenças crônicas representam maior impacto na saúde

No mundo, mais da metade dos anos vividos em condições ruins de saúde está relacionada a cinco grandes grupos. Entre eles estão os distúrbios musculoesqueléticos, especialmente a dor lombar; os transtornos mentais, como depressão e ansiedade; problemas dos órgãos dos sentidos, como a perda auditiva relacionada ao envelhecimento; lesões não intencionais, principalmente quedas; e outras doenças não transmissíveis.

Entre os fatores de risco que mais contribuem para esse cenário estão a glicemia de jejum elevada, o excesso de peso, a desnutrição materno-infantil e o tabagismo. A combinação varia de acordo com a região e o nível de desenvolvimento socioeconômico de cada população.

Desafio é garantir mais anos de vida saudável

O estudo chama atenção para uma mudança de foco necessária nas políticas de saúde. Durante décadas, aumentar a expectativa de vida foi um dos principais indicadores de progresso. Agora, o desafio é fazer com que uma parcela maior desses anos seja vivida com autonomia e qualidade.

Isso significa que reduzir mortes continua sendo fundamental, mas não basta. É preciso também prevenir doenças crônicas, retardar o surgimento de incapacidades e ampliar o acesso a tratamentos, reabilitação, saúde mental e cuidados de longo prazo. (Léo Marques/UO/FOLHAPRESS)


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