Brasil registra menor taxa de desemprego da história com índice de 5,4%, diz IBGE
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 30 de julho de 2026 às 16:17 | Atualizado há 1 hora
Mercado de trabalho brasileiro registrou a menor taxa de desemprego para um trimestre desde 2012 | Foto: Gabriel Moreira/Arquivo Secom Maceió
A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,4% no trimestre encerrado em junho, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado é o menor registrado para o período desde o início da série histórica da Pnad Contínua, em 2012.
O índice ficou abaixo dos 6,1% registrados no trimestre encerrado em março e veio em linha com a expectativa do mercado financeiro, que projetava uma taxa de 5,4%, de acordo com levantamento da agência Bloomberg.
Para economistas, os números mostram que o mercado de trabalho continua aquecido, mas já apresenta sinais de perda de ritmo. Um dos principais pontos observados é o comportamento da renda média dos trabalhadores, que permaneceu praticamente estável em R$ 3.738 por mês.
O economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence, afirmou que o cenário atual indica um mercado ainda fortalecido, mas com crescimento mais moderado. Segundo ele, os juros elevados e as incertezas relacionadas ao cenário econômico e político podem influenciar as decisões de contratação por parte das empresas.
O analista do IBGE William Kratochwill avaliou que a redução do desemprego foi impulsionada principalmente pela abertura de novos postos de trabalho. Para ele, o mercado passa por um período de transição, marcado pelo comportamento sazonal das contratações ao longo do ano.
Número de trabalhadores ocupados bate recorde
A população ocupada chegou a 103,1 milhões de pessoas até junho, o maior número registrado em toda a série histórica da pesquisa. O avanço representa crescimento de 1,1% em comparação com o trimestre encerrado em março, com a entrada de 1,1 milhão de pessoas no mercado de trabalho.
O aumento foi puxado principalmente por setores como administração pública, educação e saúde, que registraram acréscimo de 489 mil trabalhadores, e transporte, armazenagem e correio, com crescimento de 235 mil pessoas.
Segundo Kratochwill, o avanço na área de educação esteve relacionado principalmente às contratações no setor público. Já no segmento de transporte, o pesquisador destacou o aumento de trabalhadores ligados a entregas e transporte de passageiros, incluindo profissionais que atuam por meio de aplicativos.
O número de empregados no setor privado com carteira assinada ficou praticamente estável, em 39,4 milhões, mas alcançou o maior patamar da série histórica. Já os servidores públicos sem carteira assinada também atingiram o recorde da pesquisa, com 3,5 milhões de pessoas.
Desempregados somam 5,9 milhões
O total de pessoas sem trabalho e em busca de uma oportunidade caiu para 5,9 milhões no trimestre até junho. O número representa redução de 10,9% em relação ao período encerrado em março, com 718 mil pessoas a menos nessa condição.
Pelas regras do IBGE, só é considerada desempregada a pessoa com 14 anos ou mais que não possui ocupação e está procurando trabalho. Quem não trabalha, mas não busca uma vaga, não entra nessa estatística.
Apesar da melhora no emprego, a renda média apresentou pouca alteração. O valor de R$ 3.738 representa queda de 1,5% em relação aos R$ 3.795 registrados no trimestre anterior, mas o IBGE considera a variação dentro da margem de estabilidade estatística.
O pesquisador William Kratochwill explicou que a entrada de trabalhadores com menor nível de escolaridade pode ter influenciado o resultado. Para o economista Leonardo Costa, da Asa, os dados ainda apontam um cenário favorável, embora com desaceleração gradual.
Especialistas também relacionam o baixo nível de desemprego a fatores como o desempenho da economia nos últimos anos, mudanças demográficas e o crescimento de atividades ligadas à tecnologia e aos aplicativos.
A discussão sobre o fim da escala 6×1 também ocorre em meio à divulgação dos dados. A proposta, que prevê mudanças na jornada de trabalho, divide opiniões entre representantes dos trabalhadores e do setor empresarial. (FOLHAPRESS/LEONARDO VIECELI)