Assessor de Gianni Infantino renuncia e critica venda de participação na Copa do Mundo
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 31 de julho de 2026 às 13:35 | Atualizado há 46 minutos
Carlos Cordeiro questionou a proposta da Fifa e defendeu que o futebol deve prevalecer sobre interesses comerciais | Foto: Jim Watson/AFP
Carlos Cordeiro deixou o cargo de assessor sênior do presidente da Fifa, Gianni Infantino, após discordar da proposta que prevê a venda de participação na Fifa Forward Enterprise (FFE), empresa ligada aos direitos comerciais da Copa do Mundo. A saída foi divulgada pela emissora britânica Sky News e ocorre em meio ao debate sobre a possibilidade de investidores adquirirem uma fatia do principal ativo comercial da entidade.
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Na justificativa para a renúncia, Cordeiro afirmou que sua experiência no mercado financeiro e sua ligação histórica com o futebol o impediram de apoiar a iniciativa. Segundo ele, permanecer na função enquanto a proposta avançava seria incompatível com sua posição, já que considera a operação prejudicial para as associações filiadas, para o futebol e para o futuro da modalidade.
O ex-dirigente ressaltou ainda que não participou das discussões relacionadas ao projeto e fez questão de destacar que sempre foi contrário à negociação.
Desde 2021, Cordeiro ocupava o posto de assessor de Infantino. Antes disso, presidiu a Federação de Futebol dos Estados Unidos e construiu carreira no setor bancário e de investimentos na Europa, experiência que motivou sua escolha para integrar a equipe da Fifa. Além da atuação na entidade, também exerceu a função de conselheiro sênior da força-tarefa da Casa Branca responsável pela organização da Copa do Mundo de 2026.
Ex-dirigente afirma que Fifa não precisa vender ativos
Ao explicar sua posição, Cordeiro argumentou que a Fifa possui capacidade financeira suficiente para investir no desenvolvimento do futebol sem abrir mão de participação em seu principal patrimônio. Na avaliação dele, a entidade acumula reservas bilionárias, não possui dívidas e atravessa um dos momentos de maior solidez financeira de sua história.
Como exemplo, lembrou que o próprio Gianni Infantino anunciou uma receita de aproximadamente US$ 15 bilhões no ciclo entre 2022 e 2026. Diante desse cenário, ele considera injustificável negociar uma participação permanente na Copa do Mundo para levantar cerca de US$ 4,2 bilhões, medida que, segundo sua avaliação, comprometeria um patrimônio estratégico da Fifa sem necessidade financeira.
Para Cordeiro, caso as associações nacionais precisem de mais investimentos para fortalecer o futebol em seus países, a própria entidade tem condições de financiar esse processo utilizando os recursos que já possui.
Cordeiro cobra transparência sobre a proposta
O ex-assessor também demonstrou preocupação com a falta de esclarecimentos sobre a operação. Entre os questionamentos levantados por ele estão quem realmente será beneficiado pela venda, se houve concorrência entre investidores interessados, quais regras de governança serão adotadas e quais direitos os futuros investidores passarão a ter sobre a Copa do Mundo.
Na avaliação do ex-dirigente, decisões dessa magnitude precisam ser tomadas com total transparência, sobretudo por envolverem o principal ativo comercial da Fifa.
Ao encerrar seu posicionamento, Cordeiro afirmou que a missão da entidade deve ser preservar e desenvolver o futebol para as próximas gerações. Segundo ele, quando interesses financeiros entrarem em conflito com os interesses esportivos, a prioridade precisa ser sempre a proteção do futebol.