Investigação de Goiás desmonta esquema internacional de tráfico e leva 33 à Justiça
Redação Online
Publicado em 4 de agosto de 2026 às 11:48 | Atualizado há 2 horas
Investigação de Goiás leva 33 denunciados por tráfico internacional e bloqueia R$ 78,1 milhões em bens | Foto: PMGO
A investigação iniciada pela Polícia Civil de Goiás após a apreensão de 470,8 quilos de cloridrato de cocaína em uma pista clandestina de Santa Rita do Araguaia resultou na denúncia de 33 pessoas por envolvimento com uma organização criminosa transnacional voltada ao tráfico internacional de drogas e à lavagem de dinheiro. A pedido do MPF, a Justiça Federal bloqueou R$ 78,1 milhões em bens e valores dos investigados, entre imóveis, aeronaves, veículos de alto padrão e ativos financeiros.
A operação teve origem após um avião realizar um pouso clandestino na zona rural do município, na terça-feira (20/04). No interior da aeronave, policiais encontraram 450 tabletes de cocaína. Os dois ocupantes tentaram escapar por uma área de mata, mas acabaram presos em flagrante. Com eles, as equipes recolheram celulares, equipamentos de navegação e anotações com coordenadas geográficas relacionadas à Bolívia.
A análise do GPS aeronáutico permitiu identificar o trajeto percorrido pela aeronave entre a região do Parque Nacional Isiboro Sécure (Tipnis), na Bolívia, e o território goiano. A partir dos equipamentos apreendidos e do cruzamento de informações bancárias, fiscais e telemáticas, os investigadores ampliaram a apuração e identificaram toda a estrutura da organização.
Segundo o MPF, o grupo atuava por meio de quatro núcleos especializados. Um deles cuidava da logística aérea, outro financiava as operações e ocultava recursos por empresas de fachada e pessoas interpostas. Um terceiro administrava o patrimônio da organização com empresas do setor de transportes, enquanto o quarto concentrava as ações de lavagem de dinheiro por meio de construtoras, comércio de gás, negociação de veículos, imóveis e um sistema paralelo de crédito e desconto de cheques.
As investigações também apontaram o uso do chamado “dólar-cabo”, mecanismo utilizado para enviar recursos de forma clandestina à Bolívia sem passar pelo sistema oficial de câmbio. Conforme o MPF, os valores custeavam pilotos, combustível e manutenção das aeronaves empregadas no transporte da droga.
Outro ponto da investigação envolveu Arnaldo Agostinho Sottani, apontado como um dos financiadores da organização e comprador oculto da aeronave apreendida. Familiares informaram que ele teria morrido em um acidente aéreo, mas os investigadores não localizaram registros do voo, destroços ou qualquer elemento que confirmasse o suposto acidente. Dias antes do desaparecimento, ele concedeu procuração com amplos poderes para administração e transferência de seus bens. Diante das circunstâncias, o MPF pediu a prisão preventiva do investigado e solicitou sua inclusão na Difusão Vermelha da Interpol.
A fase ostensiva da Operação Rota Andina ocorreu em maio deste ano, com cumprimento de mandados de prisão, busca e apreensão e bloqueio de bens em Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Amazonas, Rio Grande do Norte, Maranhão e no Distrito Federal. O MPF informou que as investigações continuam e novas denúncias poderão ser apresentadas caso surjam novos elementos.