Fiocruz homenageia cientistas cassados durante a ditadura militar
Fernando Henrique - Estágio DM
Publicado em 8 de agosto de 2026 às 11:24 | Atualizado há 1 hora
Cerimônia de homenagem aos pesquisadores ocorreu nas escadarias do Castelo da Fiocruz, no Rio de Janeiro | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
A Fiocruz concedeu títulos póstumos de pesquisador emérito a dez cientistas da instituição que tiveram seus direitos políticos cassados pela ditadura militar, em 1970, um episódio que ficou conhecido como Massacre de Manguinhos. A apresentação dos títulos ocorreu na última quarta-feira (5) no Rio.
Receberam o título Augusto Cid de Mello Perissé, Tito Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, Haity Moussatché, Fernando Braga Ubatuba, Moacyr Vaz de Andrade, Hugo de Souza Lopes, Masao Goto, Sebastião José de Oliveira e Domingos Arthur Machado Filho.
Houve também uma entrega simbólica a Herman Lent, pesquisador emérito da instituição desde 2004.
Sebastião José de Oliveira, por sinal, foi o primeiro cientista negro da Fiocruz.
Também recebeu a honraria Walter Oswaldo Cruz, filho do patrono da Fiocruz e um dos membros fundadores da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência).
Homenagem nas escadarias do Castelo da Fiocruz
Descendentes tanto de sangue quanto científicos representaram os pesquisadores na cerimônia, que ocorreu nas escadarias do Castelo da Fiocruz .
A entrega dos títulos nesse momento fez referência a algo que aconteceu, em 1986, nas mesmas escadarias: a reincorporação à Fiocruz dos pesquisadores.
Pesquisadores foram cassados em 1970

A Fiocruz concedeu títulos póstumos de pesquisador emérito a dez cientistas da instituição | Foto: Reprodução
Em abril de 1970, a cassação, por dez anos, dos direitos políticos dos pesquisadores foi publicada no DOU (Diário Oficial da União), sustentada pelo AI-5 (Ato Institucional 5). Segundo documento da própria Fiocruz, a publicação no DOU, porém, não significava afastamento dos pesquisadores, o que ocorreu devido a um novo decreto, que os aposentou compulsoriamente e os impediu de ensinar ou pesquisar em instituições públicas.
Os títulos haviam sido aprovados pelo Conselho Deliberativo da Fiocruz em maio, em reconhecimento às trajetórias que marcaram o desenvolvimento científico da instituição.
Presidente da Fiocruz destaca defesa da ciência
O atual presidente da Fiocruz, Mario Moreira, disse: “houve tempos sombrios quando governantes viam na ciência livre, soberana, uma ameaça . Estamos aqui exatamente para que não se repita. E esta afirmação política ainda é necessária mesmo passados 56 anos da cassação dos nossos pesquisadores. Para que nunca mais a ciência, a educação e a democracia sejam vistas como ameaças. Ao contrário: como partes constituintes de um país mais justo, mais desenvolvido, com dignidade para todos”.