Morre Paulo Roberto Teixeira, pioneiro na luta contra a Aids no Brasil
Fernando Henrique - Estágio DM
Publicado em 20 de setembro de 2026 às 15:56 | Atualizado há 21 minutos
Paulo Roberto Teixeira foi pioneiro nas políticas de saúde pública de enfrentamento ao HIV e à Aids no Brasil | Foto: Divulgação
Morreu neste sábado (19), aos 77 anos, o médico sanitarista Paulo Roberto Teixeira, pioneiro na construção de políticas de saúde pública de enfrentamento ao HIV e à Aids no país. A causa da morte não foi divulgada.
Pioneirismo no combate à Aids
Em 1983, Teixeira liderou a criação do primeiro programa de combate à Aids na América Latina, em São Paulo. Ele estabeleceu um modelo considerado inovador baseado no atendimento especializado e no respeito aos direitos humanos e à dignidade dos pacientes.
Esses pilares foram fundamentais em um momento de incertezas científicas, pânico moral e estigmatização que marcaram o início da epidemia de HIV/Aids na década de 1980. A doença era associada principalmente a homens gays e bissexuais, o que reforçou o preconceito contra a população LGBTQIA+. A associação também alimentou a falsa ideia de que o vírus estaria restrito a determinados grupos, contribuindo para a marginalização de pessoas vivendo com HIV.
Nos anos 2000, Teixeira esteve à frente do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde e foi diretor do departamento de HIV/Aids da OMS (Organização Mundial da Saúde). Também atuou como consultor da OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde).
Defesa do tratamento gratuito
O sanitarista também foi um defensor do acesso universal ao tratamento. A oferta ampla e gratuita dos medicamentos antiretrovirais se consolidou em 1996, com a lei que garantiu o direito ao tratamento gratuito a todos os pacientes pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
Notas de pesar
O Ministério da Saúde publicou neste sábado uma nota de pesar pela morte de Teixeira.
“Sua trajetória contribuiu para fortalecer o SUS e assegurar a milhares de pessoas acesso ao cuidado e aos medicamentos antirretrovirais, além de promover uma abordagem pautada na ciência, no respeito e na garantia de direitos”, diz o texto.
O Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) também se manifestou.
“A saúde pública brasileira e global perde um profissional admirável, um humanista incansável e um dos arquitetos fundamentais da resposta brasileira ao HIV/Aids”, afirma a nota.
Profissinais de saúde também lamentaram a morte do médico.
“Perde-se um grande médico humanista. É uma grande dor que estou sentindo no momento”, disse o médico Táki Cordás, coordenador multidisciplinar do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, em vídeo publicado nas redes sociais.
Dados da epidemia no Brasil
Desde 1982, quando a epidemia de Aids chegou ao Brasil, 1,6 milhão de pessoas conviveram com o vírus do HIV no país.
Destes, 1,1 milhão de casos progrediram para Aids, segundo o DataSUS. Até o fim de 2024, 402 mil pessoas morreram em decorrência da doença. (Giovana Kebian/FOLHAPRESS)