Lula anuncia canetas emagrecedoras gratuitas no SUS para pacientes com obesidade
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 18 de setembro de 2026 às 09:38 | Atualizado há 49 minutos
Lula afirmou que pacientes com obesidade e indicação médica poderão ter acesso gratuito às chamadas canetas emagrecedoras pelo SUS | Foto: JORGE FERREIRA/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Pessoas com obesidade poderão receber gratuitamente no SUS medicamentos aplicados por meio das chamadas canetas emagrecedoras. A medida foi anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na última quinta-feira (17), durante uma visita ao novo Complexo Industrial da Eurofarma, em Montes Claros, Minas Gerais.
A distribuição não deverá ocorrer de forma ampla para qualquer pessoa interessada no tratamento. O acesso será condicionado a uma avaliação médica e a critérios que ainda estão sendo definidos pelo Ministério da Saúde. A pasta pretende estabelecer um protocolo para orientar a utilização dos medicamentos na rede pública.
Tratamento passa por fase de testes
Antes de levar a estratégia para todo o país, o governo acompanha uma experiência realizada pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre. Cerca de 250 pessoas participam do projeto, entre pacientes com obesidade grave, problemas de saúde relacionados à condição ou indicação para cirurgia bariátrica.
A experiência deve servir como base para a definição das regras de atendimento. A intenção é identificar quais perfis de pacientes podem se beneficiar do tratamento e estabelecer como os medicamentos serão disponibilizados pelo SUS.
Durante o anúncio, Lula ressaltou que as canetas devem ser utilizadas com acompanhamento profissional. O presidente também alertou para o risco de uso sem indicação médica e afirmou que o medicamento não deve ser distribuído indiscriminadamente.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o governo pretende transformar o acesso à medicação em uma oferta regular do SUS. A ampliação, segundo ele, dependerá da definição do protocolo que está sendo elaborado a partir da experiência em Porto Alegre.
Medicamentos ficaram mais baratos
A possibilidade de ampliar o acesso aos medicamentos também está relacionada à redução dos preços registrada no mercado brasileiro. Desde 2025, o governo adotou medidas para aumentar a concorrência entre fabricantes e estimular a produção nacional.
Segundo o governo federal, essas ações contribuíram para uma queda de aproximadamente 70% nos valores. Produtos que anteriormente ultrapassavam R$ 1 mil passaram a ser comercializados na faixa de R$ 300 a R$ 400.
A oferta de opções também aumentou. Ao longo de 2026, a Anvisa concedeu registros a novos medicamentos que utilizam semaglutida e liraglutida como princípios ativos.
Essas substâncias são utilizadas no tratamento do diabetes e também podem ser prescritas para obesidade em determinadas situações. A indicação depende da avaliação de um profissional de saúde.
O avanço da obesidade ajuda a explicar a discussão sobre a ampliação do tratamento na rede pública. Conforme dados do Vigitel, a parcela de adultos com obesidade nas capitais brasileiras e no Distrito Federal passou de 11,8%, em 2006, para 25,7%, em 2024.