Frei Betto critica esquerda brasileira e diz que campo progressista abandonou trabalho de base
Léo Carvalho
Publicado em 10 de agosto de 2026 às 14:31 | Atualizado há 3 horas
Frei Betto criticou a atuação da esquerda brasileira durante participação no programa Provoca | Foto: Reprodução
O frade dominicano, teólogo e escritor Frei Betto fez críticas à atuação da esquerda brasileira durante participação, na última terça-feira (04/08), no programa Provoca, da TV Cultura, apresentado por Marcelo Tas. Ao analisar o atual cenário político, ele afirmou que o campo progressista perdeu parte da capacidade de mobilização junto às camadas populares e também não conseguiu ocupar de maneira eficiente o ambiente digital.
Para ilustrar sua avaliação, Frei Betto comparou a situação da esquerda à Seleção Brasileira após derrota, por 2 a 1, para a Noruega na Copa do Mundo deste ano.
Segundo o escritor, a esquerda brasileira não passou por um processo suficiente de renovação e ainda busca uma estratégia capaz de reconectá-la com setores populares. Ele apontou como um dos principais problemas o abandono do chamado trabalho de base, prática que, segundo ele, teve maior presença entre organizações progressistas nas décadas de 1970 e 1980.
Frei Betto citou comunidades periféricas, moradores sem teto e trabalhadores sem terra como grupos nos quais, na avaliação dele, a presença organizada dos partidos progressistas diminuiu.
Outro ponto destacado pelo frade foi a atuação política nas redes sociais. Para ele, a direita conseguiu desenvolver uma estratégia mais eficiente de produção e circulação de conteúdo no ambiente digital, enquanto a esquerda costuma reagir às mensagens produzidas por seus adversários.
Na avaliação de Frei Betto, essa diferença representa um desafio para o campo progressista, que precisaria voltar a produzir conteúdos próprios capazes de alcançar um público maior e disputar espaço nas plataformas digitais.
A trajetória do escritor é marcada pela atuação política e social. Durante a ditadura militar, Frei Betto foi preso por auxiliar integrantes de organizações que atuavam na luta contra o regime. Anos mais tarde, participou do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o primeiro mandato, quando esteve envolvido na implantação do programa Fome Zero.
A participação no Provoca também abordou a atuação de Frei Betto na defesa de grupos vulneráveis e sua trajetória ligada à Igreja Católica e aos movimentos sociais.