Operação do MP mira suposto esquema milionário de fraudes em licitações em 14 cidades de Goiás
DM Online
Publicado em 11 de agosto de 2026 às 10:05 | Atualizado há 2 horas
Uma operação do Ministério Público de Goiás (MPGO) colocou sob investigação um suposto esquema de fraudes em contratações públicas que teria movimentado dezenas de milhões de reais em diferentes municípios goianos. A ofensiva envolve o cumprimento de mandados de prisão, buscas e apreensões e o afastamento de agentes públicos.
De acordo com as informações divulgadas sobre a investigação, o grupo é suspeito de utilizar empresas de fachada e mecanismos de direcionamento de contratações para obter vantagens em processos envolvendo o poder público municipal.
As apurações alcançam 14 cidades de Goiás e também resultaram em diligências no estado de São Paulo. Entre os municípios goianos relacionados à operação estão Goiânia, Aparecida de Goiânia, Senador Canedo, Rio Verde, Itumbiara e Luziânia.
Empresa investigada recebeu mais de R$ 88 milhões
Um dos números que chama atenção na investigação é o volume de recursos públicos movimentado. Segundo os dados apresentados, uma das empresas investigadas recebeu mais de R$ 88,3 milhões em valores liquidados entre 2015 e 2025.
O montante, porém, não representa necessariamente o valor que teria sido desviado. A estimativa relacionada a possível prejuízo aos cofres públicos e enriquecimento ilícito supera R$ 14 milhões.
As contratações investigadas envolvem, entre outros serviços, o fornecimento, a montagem e a instalação de ambientes modulares destinados a estruturas públicas, incluindo escolas e unidades de assistência social.
Investigação apura possível direcionamento
A suspeita é de que o grupo empresarial tenha utilizado empresas de fachada e atas de adesão supostamente manipuladas para viabilizar ou direcionar contratos públicos.
A investigação também alcança gestores e servidores municipais. A apuração busca esclarecer se agentes públicos teriam participado ou facilitado procedimentos destinados a beneficiar determinadas empresas nas contratações.
Por determinação judicial, foram expedidos três mandados de prisão preventiva e 44 mandados de busca e apreensão. Também foi determinado o afastamento de quatro pessoas de funções públicas.
As diligências não ficaram restritas a Goiás. A operação também chegou às cidades de São Paulo e Ribeirão Preto, ampliando o alcance da investigação.
Caso ainda está sob investigação
A operação representa uma etapa da apuração conduzida pelas autoridades. As suspeitas levantadas pelo Ministério Público ainda deverão passar pelo processo de investigação e, eventualmente, pela análise do Poder Judiciário.
Por isso, as pessoas e empresas investigadas não podem ser tratadas como culpadas antes de eventual condenação definitiva.
O avanço das investigações deverá esclarecer como os contratos foram estruturados, qual teria sido a participação de empresários e agentes públicos e o tamanho efetivo do possível prejuízo causado aos cofres municipais.