Desemprego juvenil chegou a 67 milhões no mundo em 2025, aponta OIT
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 13 de agosto de 2026 às 11:48 | Atualizado há 5 horas
Jovens enfrentam dificuldades para ingressar no mercado de trabalho em meio ao aumento do desemprego global | Foto: Márcio Fernandes/Estadão
O mercado de trabalho ficou mais difícil para os jovens em 2025. A taxa global de desemprego entre pessoas de 15 a 24 anos chegou a 12,4%, acima dos 12,3% registrados em 2023. O percentual corresponde a aproximadamente 67 milhões de jovens sem trabalho em todo o mundo.
Os dados fazem parte de um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), divulgado nesta quarta-feira (12). Segundo a entidade, o resultado interrompe a recuperação que vinha sendo observada depois da pandemia de Covid-19 e ocorre em um cenário marcado por crescimento econômico mais lento, tensões geopolíticas e ritmo insuficiente de criação de empregos.
Além do aumento do desemprego, a OIT identificou uma piora nas condições de entrada dos jovens no mercado. O relatório aponta que não apenas há menos oportunidades disponíveis, como também houve redução na qualidade de parte das vagas oferecidas.
A parcela de jovens que não estão trabalhando, estudando ou participando de algum tipo de formação profissional também avançou. O grupo chegou a representar 20% dos jovens no mundo, o equivalente a mais de 257 milhões de pessoas.
Desemprego entre jovens chega a 26,2% nos Estados Árabes, aponta OIT
O aumento do desemprego foi observado em oito das 11 sub-regiões avaliadas pela OIT entre 2023 e 2025. A piora atingiu diferentes níveis de desenvolvimento econômico, alcançando tanto países ricos quanto nações de renda média e baixa.
A maior taxa foi registrada nos Estados Árabes, onde 26,2% dos jovens estavam desempregados. O norte da África apareceu em seguida, com índice de 22,6%.
Entre as economias desenvolvidas, também houve deterioração. Na América do Norte, a taxa passou de 8,3% em 2023 para 9,8% em 2025. Já no norte, sul e oeste da Europa, o desemprego entre jovens ficou em 15%.
A redução de vagas que tradicionalmente serviam como porta de entrada para quem acabou de concluir o ensino médio ou a universidade também preocupa a OIT. Funções administrativas e de escritório, atividades de vendas e postos na indústria, que costumavam absorver trabalhadores em início de carreira, estão entre os segmentos que perderam oportunidades.
Com menos vagas desse perfil disponíveis, um número maior de jovens passa a disputar os mesmos postos. O resultado é uma espera mais longa até a contratação e um aumento do desemprego principalmente entre aqueles com formação de nível médio.
IA pode dificultar ainda mais a entrada de jovens no mercado de trabalho
A transformação provocada pela inteligência artificial é apontada pela OIT como outro fator que pode pressionar o mercado de trabalho juvenil nos próximos anos. A organização estima que 6,1% dos empregos ocupados atualmente por pessoas entre 15 e 29 anos estejam em setores particularmente expostos aos efeitos da tecnologia.
Nessas ocupações, ferramentas de inteligência artificial podem assumir parte das tarefas desempenhadas atualmente por trabalhadores ou modificar de maneira significativa a forma como essas atividades são executadas.
O impacto, porém, pode ser diferente conforme a condição econômica de cada país. Em nações em desenvolvimento, muitos jovens não têm recursos para permanecer sem renda por longos períodos e acabam recorrendo a ocupações mais instáveis para conseguir se sustentar.
De acordo com a OIT, quase nove em cada dez jovens trabalhadores de países de baixa e média-baixa renda estão em empregos informais. Essas atividades costumam oferecer menor proteção trabalhista, além de acesso mais limitado a benefícios e mecanismos de seguridade social.