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Empresário da Faria Lima acusado de estupro marital: vídeo

DM Redação

Publicado em 17 de agosto de 2026 às 16:19 | Atualizado há 2 horas

BÁRBARA SÁ

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A dentista Giulia Melo Falcão Vel Kos, 27, afirma ter prestado queixa na polícia contra o marido, o empresário Ivo Vel Kos, 48, por suposto estupro após episódios de violência sexual durante o casamento. À Folha de S.Paulo ela disse que chegou a acordar durante a madrugada com o marido mantendo relações sexuais com ela sem consentimento.
A acusação é anterior ao episódio de violência doméstica ocorrido na madrugada de sábado (15), em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, que levou à prisão preventiva (sem prazo) do empresário.
Kos é suspeito nesse segundo caso de agredir a dentista com socos e um taco de beisebol e ameaçá-la com uma arma de choque.
O empresário negou à polícia as agressões ocorridas no sábado e afirmou ter sido atacado pela mulher durante uma discussão. Davi Gebara, advogado de Kos, disse à Folha de S.Paulo que não irá se pronunciar sobre a acusação de estupro.
Giulia afirma que os episódios de violência começaram antes mesmo do casamento. Ela disse que permaneceu no relacionamento porque acreditava que os problemas poderiam ser superados e que a família seria preservada.
“Eu sempre fui teimosa, acreditei no poder da família e tudo se resolveria”, afirmou.
A dentista disse que Kos a havia agredido fisicamente outras vezes, mas que, nas ocasiões anteriores, ele teria tomado cuidado para não deixar marcas aparentes. De acordo com ela, o empresário costumava negar as agressões e depois tentava se reconciliar.
Sobre os episódios de violência sexual, Giulia afirmou que ocorreram durante o casamento e que parte deles aconteceu em períodos nos quais, segundo ela, Kos enfrentava problemas relacionados ao consumo de álcool.
“Eu estava dormindo tranquila e acordava com ele em cima ou dentro de mim. Eu pedia para ele sair, eu pedia para ele parar, e isso não acontecia”, disse.
A dentista afirmou que demorou a compreender que relações sexuais sem consentimento dentro do casamento poderiam configurar violência sexual.
“Eu guardei isso por muito tempo, porque é uma situação muito constrangedora e por achar que, por ele ser meu marido, ele teria esse direito”, afirmou.
Giulia disse que decidiu relatar os episódios quando pretendia se separar. Naquele momento, afirmou, começou a pesquisar sobre o assunto e passou a compreender de outra forma o que havia ocorrido durante a relação.
“Eu comecei a pesquisar mais do que se tratava, porque eu não tinha ainda a ciência de que isso era um crime gravíssimo. Eu falei: Nossa, isso acontece comigo”, disse.
O caso segue em apuração.
RECONCILIAÇÃO
Após o registro, Giulia e Kos retomaram o relacionamento. Fábio Fajolli, advogado que representa a dentista, afirma que os dois chegaram a viajar juntos depois da reconciliação.
Para Fajolli, a retomada de relacionamentos após episódios de violência é uma situação recorrente e não significa, por si só, que os fatos relatados anteriormente deixaram de existir.
“Isso é muito comum em casal”, afirmou.
O advogado disse que, na época, questionou Giulia sobre a decisão de retomar o relacionamento, mas respeitou a escolha dela.
“Eu até falei: Você tem certeza? Tenho experiência, sei como funciona. Ela falou: Não, a gente está super bem. E eu preciso respeitar a vontade dela”, afirmou Fajolli.
O casal estava junto novamente quando ocorreu o episódio de sábado. Giulia afirmou à Folha de S.Paulo que morava com Kos havia quase um ano e que, apesar de outras discussões nesse período, a relação estava mais tranquila do que anteriormente.
Na madrugada de sábado, porém, ela afirma que foi agredida durante o retorno de um jantar. A dentista relatou ter recebido socos dentro do carro e, posteriormente, ter sido atingida com um taco de beisebol e ameaçada com uma arma de choque.
Kos apresentou outra versão à polícia. Ele negou ter agredido a mulher dentro do veículo e afirmou que Giulia começou a atacá-lo com socos e chutes. Os dois apresentavam lesões aparentes e foram encaminhados para exame de corpo de delito.
O empresário foi preso em flagrante e teve a prisão convertida em preventiva após audiência de custódia. A defesa apresentou pedido de habeas corpus para tentar libertá-lo.
O QUE É ESTUPRO MARITAL
Estupro marital é o termo usado para casos de violência sexual praticada pelo cônjuge ou companheiro em uma relação conjugal. O casamento ou a existência de um relacionamento não representam consentimento permanente para relações sexuais.
No Brasil, não existe um crime específico. A conduta pode ser enquadrada no crime de estupro, previsto no artigo 213 do Código Penal, quando há constrangimento mediante violência ou grave ameaça para a prática de relação sexual ou outro ato libidinoso.


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