Agência do Bradesco é “velada e enterrada” em protesto no Paranoá-DF
Léo Carvalho
Publicado em 18 de agosto de 2026 às 14:43 | Atualizado há 1 hora
Sindicato dos Bancários realizou enterro simbólico de agência do Bradesco durante protesto no Paranoá | Foto: Reprodução/@df.bancarios
O fechamento de uma agência do Bradesco no Paranoá, no Distrito Federal, foi alvo de um protesto realizado na manhã desta segunda-feira (17). Organizado pelo Sindicato dos Bancários, o ato utilizou um caixão para representar, de forma simbólica, o encerramento da unidade e os impactos que a medida pode provocar sobre empregos e atendimento bancário na região.
O banco informou que a agência deixará de funcionar em 21 de setembro. A partir dessa data, os serviços serão transferidos para uma unidade localizada no Setor Comercial Sul.
Durante a manifestação, o presidente do Sindicato dos Bancários, Rodrigo Britto, entrou em um caixão colocado dentro da agência e participou da encenação que representou a “morte” da unidade. O dirigente também questionou a decisão do banco e cobrou explicações sobre os efeitos do fechamento para os clientes do Paranoá.
Após a intervenção dentro da agência, os manifestantes seguiram pelas ruas da região em um cortejo que reproduziu uma marcha fúnebre. O percurso terminou diante de uma agência do Itaú também localizada no Paranoá.
Sindicato critica política de fechamento
Representantes dos trabalhadores afirmaram que o encerramento da unidade ocorre apesar do resultado financeiro do Bradesco. José Garcia, diretor da Fetec-CUT/CN, citou o lucro de aproximadamente R$ 14 bilhões registrado pelo banco no primeiro semestre e criticou a política de redução da estrutura física e de pessoal.
Segundo Garcia, a combinação entre fechamento de agências, demissões e cobrança por metas aumenta a pressão sobre os trabalhadores e prejudica o atendimento aos clientes.
Raimundo Dantas, diretor do Sindicato, também criticou as condições enfrentadas pelos bancários. Para ele, o desempenho financeiro da instituição está diretamente relacionado ao trabalho dos empregados, enquanto a categoria enfrenta pressão por resultados e metas consideradas abusivas pela entidade.
José Avelino, diretor da Fetec-CUT/CN, afirmou que o fechamento de unidades de bancos privados aumenta as dificuldades para quem precisa de atendimento presencial e reduz postos de trabalho.

Moradores temem prejuízo no atendimento
A decisão também provocou preocupação entre moradores e comerciantes do Paranoá. Macinaldo Azevedo, comerciante de 49 anos e cliente da agência, afirmou que a mudança deve causar transtornos, especialmente para os comerciantes que utilizam os serviços da unidade.
Clodoaldo da Cruz, rodoviário aposentado e cliente do banco, chamou atenção para as dificuldades que o deslocamento pode representar para pessoas com problemas de locomoção. Ele também afirmou que parte dos clientes ainda não teria conhecimento sobre o fechamento.
Segundo informações apresentadas durante o protesto, a região do Paranoá possui cerca de 76 mil habitantes e a agência atende mais de 700 clientes, entre pessoas físicas e jurídicas.
Um funcionário do banco que participou da manifestação relatou insegurança entre os trabalhadores diante do encerramento da unidade e das mudanças que deverão ocorrer.
Sindicato cobra manutenção da agência
A bancária aposentada Louraci Morais destacou a importância da agência para o atendimento de pessoas que, segundo ela, dependem mais do serviço presencial. Para a ex-funcionária, a necessidade seria ampliar a rede de atendimento, e não reduzir o número de unidades.
Dagma Souza, diretora do Sindicato, afirmou que o protesto teve como objetivo chamar atenção para os efeitos do fechamento sobre os trabalhadores e a população atendida pela agência.
Paulo Frazão, também diretor da entidade, criticou diretamente a decisão do Bradesco e afirmou que a transferência dos serviços poderá provocar aumento das filas e dificuldades no atendimento.
Os bancários que participaram do ato defenderam a manutenção da unidade, a preservação dos postos de trabalho e medidas para reduzir a pressão sobre os trabalhadores do setor.
O fechamento da agência está previsto para 21 de setembro, quando o atendimento deverá ser transferido para a unidade do Bradesco no Setor Comercial Sul.
A reportagem tentou contato com a assessoria de comunicação do Bradesco, mas, até a publicação desta matéria, não obteve retorno.
Vídeo: @df.bancarios