Caiado chama gestão Lula de “governo de ladrões” durante evento em Brasília
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 19 de agosto de 2026 às 09:02 | Atualizado há 2 horas
Ronaldo Caiado criticou a política fiscal do governo Lula durante evento sobre economia em Brasília | Foto: Reprodução
O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) afirmou na última terça-feira (18), em Brasília, que pretende promover uma reforma administrativa e reduzir despesas públicas caso seja eleito em 2026. A declaração ocorreu durante um debate sobre economia e ambiente de negócios, no qual o governador de Goiás também direcionou críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ao comentar a condução das contas públicas pela atual gestão, Caiado adotou um tom duro e chamou o governo federal de “governo de ladrões”. Na avaliação do candidato, a população estaria sendo responsabilizada pelos custos das dívidas contraídas pela União. Ele afirmou que o governo estaria colocando a mão no bolso dos brasileiros para arcar com compromissos financeiros assumidos pela própria administração.
Caiado também questionou medidas econômicas adotadas pelo governo às vésperas das eleições. Para ele, determinadas ações teriam o efeito de “enganar e anestesiar” a população em vez de enfrentar os problemas estruturais das contas públicas.
A crítica foi feita durante o evento “O Brasil em Debate com os Presidenciáveis – Ambiente de Negócios, Competitividade e Desenvolvimento Econômico”. O encontro ocorreu em Brasília e reuniu o presidenciável para discutir propostas relacionadas à economia, competitividade e ambiente de negócios.
A programação foi promovida pela Frente Parlamentar Mista do Ambiente de Negócios (FPN), pelo Instituto Unidos Brasil (IUB), pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e pelo Ranking dos Políticos.
Candidato evita detalhar onde faria cortes
A possibilidade de redução de gastos também esteve entre os assuntos discutidos no encontro. Questionado sobre uma eventual reforma administrativa, Caiado afirmou que não pretende definir antecipadamente quais setores seriam atingidos. Para ele, qualquer decisão desse tipo precisaria ser tomada somente depois de um levantamento detalhado da situação financeira do país.
O candidato afirmou que ainda não há uma dimensão precisa do desequilíbrio das contas públicas e resumiu o cenário dizendo que “ninguém sabe qual é o verdadeiro buraco do governo”. A partir desse diagnóstico, segundo ele, seria possível estabelecer quais despesas poderiam ser reduzidas e onde haveria espaço para mudanças.
Mesmo sem indicar setores específicos, Caiado afirmou que uma eventual gestão sob seu comando teria cortes na estrutura administrativa. Ele também defendeu que a discussão sobre redução de despesas seja ampliada para os outros Poderes, em uma tentativa de conter o avanço dos gastos públicos.
Na avaliação do presidenciável, a situação atual é “abominável” e deveria provocar uma reação mais contundente da sociedade brasileira.
Plano prevê revisão de benefícios e controle de despesas
As medidas de contenção de gastos defendidas por Caiado fazem parte de um conjunto mais amplo de propostas apresentadas em seu plano de governo para o período de 2027 a 2030. O documento possui 100 páginas e reúne iniciativas distribuídas em 26 áreas.
Na área econômica, o programa estabelece o ajuste fiscal como uma das prioridades e propõe mudanças sem recorrer a uma sequência de aumentos de impostos ou a cortes generalizados.
Entre as medidas previstas está a revisão de subsídios e benefícios tributários, além de ações para limitar o crescimento das despesas obrigatórias. O plano também prevê o enfrentamento dos chamados supersalários, que aparecem entre os pontos relacionados ao controle dos gastos públicos.
Outra proposta apresentada é o chamado “Orçamento da Verdade”. A iniciativa está incluída no programa como uma forma de ampliar o controle sobre as contas públicas e melhorar o acompanhamento da situação fiscal do governo.
A proposta de Caiado, portanto, combina a promessa de uma reforma na estrutura administrativa com medidas de revisão de despesas e benefícios. O candidato, contudo, ainda não detalhou quais áreas seriam prioritariamente atingidas por eventuais cortes, afirmando que essa definição dependeria do diagnóstico das contas públicas.