Vorcaro depõe à PF em investigação sobre suspeita de favorecimento ao Banco Master
DM Online
Publicado em 27 de agosto de 2026 às 12:48 | Atualizado há 2 horas
Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, presta depoimento à Polícia Federal nesta quinta-feira (27), em mais uma etapa das investigações que cercam a instituição financeira. A oitiva ocorre por videoconferência e tem como foco suspeitas de uma possível articulação envolvendo integrantes da estrutura de fiscalização do Banco Central.
O depoimento começou às 10 horas e ocorre depois de ter sido adiado na semana passada. Vorcaro está preso desde março e permanece no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha.
A investigação concentra-se na relação do empresário com Paulo Sérgio Souza, ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, e Belline Santana, que ocupou cargo na área de supervisão da autoridade monetária. Os dois foram afastados de suas funções e são investigados por suspeitas relacionadas à atuação em favor dos interesses do Master.
Segundo informações divulgadas sobre o inquérito, a Polícia Federal identificou indícios de que os servidores teriam recebido dinheiro de Vorcaro e mantido contatos nos quais assuntos relacionados à fiscalização do banco eram tratados. Entre as suspeitas investigadas estão o fornecimento de informações, a revisão de documentos e orientações ao empresário antes de reuniões com o próprio regulador.
As apurações também analisam se informações privilegiadas teriam sido utilizadas para auxiliar estratégias do Master em um período no qual a instituição estava sob atenção crescente das autoridades. O banco acabou liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025.
As acusações ainda estão em investigação e o depoimento de Vorcaro é justamente uma das medidas destinadas a confrontar a versão do empresário com documentos e outros elementos reunidos pelas autoridades.
A oitiva desta quinta-feira também marca a primeira vez que Vorcaro fala oficialmente à PF desde a mudança de sua equipe de defesa e após tentativas anteriores de negociar uma colaboração premiada não avançarem.
A expectativa é de que o empresário limite suas declarações ao objeto específico do inquérito sobre o Banco Central, sem ampliar espontaneamente o depoimento para suas relações nos meios político e jurídico.
A nova defesa também tenta construir uma estratégia para uma eventual colaboração com as autoridades. O movimento aumenta a expectativa em torno dos próximos passos do caso, embora uma negociação de colaboração não signifique que haverá acordo.
A investigação acrescenta uma dimensão particularmente delicada ao caso Banco Master. Além das suspeitas relacionadas às operações da própria instituição financeira, os investigadores procuram esclarecer se agentes responsáveis por acompanhar e fiscalizar o banco teriam atuado, na prática, para favorecer interesses privados.
Se confirmada, uma eventual interferência dentro da estrutura de supervisão financeira poderá ampliar o alcance das responsabilidades apuradas e colocar sob análise os mecanismos internos destinados a preservar a independência da fiscalização bancária.
Por enquanto, porém, as condutas atribuídas aos envolvidos permanecem no campo das investigações. Caberá à Polícia Federal reunir as provas, confrontar os depoimentos e encaminhar suas conclusões às autoridades responsáveis pelas etapas seguintes do processo.
O depoimento de Vorcaro, portanto, pode ajudar a esclarecer não apenas sua relação com os ex-integrantes do Banco Central, mas também até onde teria chegado a suposta rede de influência construída em torno do Banco Master.