Lula diz que dívida pública não o preocupa e afirma que responsabilidade fiscal “baliza” sua vida
Léo Carvalho
Publicado em 28 de agosto de 2026 às 12:57 | Atualizado há 2 horas
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante entrevista ao Jornal Nacional | Foto: Reprodução/TV Globo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quinta-feira (27) não se preocupar com a dívida pública do Brasil. Apesar disso, afirmou que a responsabilidade fiscal “baliza” sua vida.
Ao ser questionado em entrevista à TV Globo sobre o aumento da dívida pública para mais de 80% do PIB (Produto Interno Bruto) durante seu atual mandato, o petista disse que o crescimento econômico do país vai ajudar a reduzir a dívida.
“A mim, não me preocupa a dívida pública. Herdei este governo, em janeiro de 2023, com déficit fiscal de 2,8%. Você sabe quanto que vai ser o Orçamento deste ano? Superávit primário de 0,1%”, disse.
Os dados do TCU (Tribunal de Contas da União) apontam que o governo central teve superávit fiscal de cerca de 0,6% do PIB em 2022, no último ano de Jair Bolsonaro (PL). O dado, no entanto, esconde manobras fiscais, como calote em precatórios e compensações pela desoneração de combustíveis.
Na próxima segunda-feira (31), o governo entregará ao Congresso o Orçamento do primeiro ano da próxima gestão presidencial. A meta fiscal proposta é de superávit de R$ 73,2 bilhões, o equivalente a 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto).
O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, disse nesta quinta que a proposta de Orçamento de 2027 terá previsão de superávit mesmo quando considerados os gastos que hoje são excluídos do cálculo da meta fiscal.
Dívida chega a 81,9% do PIB
A dívida bruta do Brasil fechou junho em 81,9% do PIB, o maior patamar desde a pandemia de Covid-19 e exatamente o cenário que os técnicos do próprio Tesouro Nacional haviam projetado, dois anos atrás, como trajetória explosiva de endividamento.
A previsão constava em documentos oficiais encaminhados ao Congresso, mas foi ignorada pelo Executivo e pelo Legislativo, que optaram por ampliar gastos em ano eleitoral.
“Conforme você começa a [fazer] crescer a economia, a dívida começa a cair em relação ao PIB. 80% de dívida não é muito se você olhar para países como os EUA, o Japão e a Itália”, disse Lula.
Atualmente, o Brasil paga cerca de 7,5% em taxas de juros reais sobre títulos públicos com vencimento em 2045, o que ressalta o alto prêmio que os investidores estão exigindo para financiar o país no longo prazo, em meio a dúvidas sobre sua capacidade de controlar o rápido crescimento dos gastos obrigatórios.
Questionado pelos jornalistas se ele se preocupava com a trajetória da dívida pública, o presidente respondeu que se preocupava mais com a trajetória da taxa de juros.
“Nós pegamos este país em uma situação em que nós não tínhamos orçamento para governar. Você está lembrado da PEC da transição? A PEC da transição foi inclusive para pagar o rombo deixado pelo outro governo [de Jair Bolsonaro].”
Com a condução da política econômica do governo sob contínua crítica do mercado financeiro, o presidente disse que tem uma equipe com muita responsabilidade fiscal. “Se tem alguma coisa que baliza a minha vida é responsabilidade fiscal.”
Ao contrário do que defendem seus adversários, o petista não se comprometeu categoricamente a cortar gastos públicos em um eventual novo mandato e disse que seu compromisso era fazer com que o país cresça.
“A minha proposta de ser candidato a presidente da República outra vez é porque eu já fiz o básico que tinha que fazer. Comecei em 2003 [em seu primeiro mandato] dizendo que se ao terminar o meu mandato, cada brasileiro tiver almoçando, tomando café e jantando, terei realizado a obra da minha vida. Fiz mais do que isso.”
Correios
O presidente também afirmou que não considera vender os Correios, mas se comprometeu a “recuperar” a estatal em um eventual quarto mandato. “Não considero vender os Correios, considero recuperar os Correios para ele fazer um serviço de qualidade.”
“Os Correios são uma empresa muito importante para o Brasil porque estão em todos os municípios”, afirmou, ponderando que outras empresas de entrega surgiram e afetaram o desempenho da estatal.
Em crise financeira e com um prejuízo de R$ 3,16 bilhões até o primeiro trimestre do ano, os Correios abriram na última semana as inscrições para um novo PDV (plano de demissão voluntária) de funcionários que trabalhem em unidades incluídas no plano de reestruturação da companhia postal, que prevê o fechamento de lojas.
Promessa de zerar fila do INSS
Lula também prometeu “zerar a fila” do INSS na semana que vem. “Se você prometer que vai à Brasília, na semana que vem vou anunciar que a fila zerou”, disse ao jornalista César Tralli.
A promessa de Lula em 2022 de reduzir a fila de pedidos no INSS tornou-se um problema eleitoral. No início deste ano, o estoque de solicitações bateu a marca inédita de 3,1 milhões.
Nesta semana, o INSS divulgou que a fila estava em 1,28 milhão de requerimentos. Principal adversário de Lula, Flávio Bolsonaro (PL) incluiu em seu programa de governo um projeto sobre o tema, chamado “Brasil Sem Fila”.
“A espera de 45 dias vai estar apenas em 251 mil pessoas, que é o normal. Você não pode deixar de dizer para ele que no meu governo os aposentados recebiam aposentadoria, recebiam uma carta em casa dizendo que você tem tempo de aposentar e eles já podem ir receber. Eles [o governo Bolsonaro] desmontaram, desmontaram o Brasil, desmontaram a Presidência”, disse o presidente ao Jornal Nacional. (DOUGLAS GAVRAS/folhapress)