Homem recebe 19 anos de prisão por feminicídio de namorada gravado em celular
Redação Online
Publicado em 28 de agosto de 2026 às 15:49 | Atualizado há 38 minutos
Júri condena homem a 19 anos por feminicídio em Jataí após celular da vítima registrar disparo | Foto: Reprodução
O Tribunal do Júri de Jataí condenou Diego Fonseca Borges a 19 anos, 4 meses e 22 dias de reclusão pela morte de Ielly Gabriele Alves, de 23 anos. O julgamento terminou na madrugada desta sexta-feira (28/08). Os jurados consideraram que Diego efetuou o disparo de forma intencional e reconheceram o feminicídio, o motivo torpe, a emboscada e o uso de recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima. A defesa sustentou que o tiro havia ocorrido de maneira acidental e pediu a desclassificação da acusação para homicídio culposo. A tese foi rejeitada pelos jurados.
Ielly morreu após ser atingida por um tiro durante um episódio ocorrido na zona rural de Jataí, em novembro de 2023. Na ocasião, ela própria usou o celular para registrar a situação. Segundo a denúncia, o casal tinha um relacionamento de aproximadamente um ano e meio e enfrentava conflitos associados a ciúmes, ameaças e discussões. Diego levou Ielly até um rancho e depois seguiu com ela por uma estrada de terra. Em um trecho isolado, ele parou o veículo e surgiu com uma arma. Ao perceber a situação, Ielly iniciou a gravação. O aparelho registrou o instante em que ela foi atingida pelo disparo.
Depois do tiro, Diego levou a jovem para uma unidade hospitalar e apresentou inicialmente uma versão de que ela havia sido vítima de uma tentativa de assalto. Ielly, porém, não resistiu aos ferimentos. A gravação feita pela vítima passou a integrar as provas analisadas no processo e teve relevância para a apuração das circunstâncias da morte.
A sentença estabeleceu a pena-base em 14 anos e três meses. O cálculo final considerou agravantes, entre elas a reincidência e o recurso utilizado para dificultar a defesa da vítima.
Com as circunstâncias reconhecidas na sentença, a pena chegou a 19 anos, 4 meses e 22 dias de prisão. O cumprimento foi determinado em regime fechado e de forma imediata, com a manutenção da prisão de Diego. Além da condenação criminal, a decisão judicial determinou o pagamento de R$ 250 mil aos familiares de Ielly por danos morais.