Advogada teria sedado marido antes de execução por seguro de vida de R$ 1 milhão
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 1 de setembro de 2026 às 09:32 | Atualizado há 47 minutos
Mulher é suspeita de envolver dois ex-clientes na execução do marido e na ocultação do corpo | Foto: Reprodução/instagram Aurélio Campos e TV Anhanguera)
A investigação da Polícia Civil aponta que a morte do biomédico Aurélio Campos de Oliveira, ocorrida no fim de abril, foi planejada meses antes e envolveu o próprio círculo familiar da vítima. A esposa dele, uma advogada de 47 anos, é suspeita de arquitetar o homicídio para receber um seguro de vida de R$ 1 milhão e teria recorrido a dois ex-clientes para colocar o plano em prática.
Segundo o delegado Patrick Carniel, os dois homens teriam recebido a promessa de R$ 50 mil para matar Aurélio e posteriormente esconder o corpo. Os três suspeitos foram presos na última quinta-feira (27), cerca de quatro meses depois do assassinato.
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A Polícia Civil afirma que a participação da advogada não teria se limitado ao planejamento. Na noite em que Aurélio foi morto, ela teria administrado uma substância de uso veterinário com efeito sedativo ao marido. Depois, registrou em vídeo a vítima deitada na cama e encaminhou a gravação aos dois homens apontados como executores.
Com o biomédico sedado e vulnerável, a mulher deixou a residência levando a filha adotiva do casal. A justificativa apresentada, segundo a investigação, foi que precisava levar a adolescente, de 13 anos, ao hospital. Para os investigadores, a saída teria sido uma maneira de se afastar da cena justamente no momento em que o homicídio seria cometido.
Enquanto ela estava fora da casa, os dois ex-clientes teriam entrado no imóvel e atacado Aurélio. O biomédico, que também era proprietário de um laboratório, foi atingido com golpes no rosto e levou um tiro, conforme apontado pela investigação.
Depois da execução, os suspeitos teriam utilizado um veículo alugado pelo próprio Aurélio para transportar o corpo. O carro foi abandonado em uma região isolada, enquanto o cadáver foi levado para uma estrada vicinal de acesso difícil e escondido no local.
Planejamento começou antes da morte
Os investigadores encontraram indícios que, segundo a Polícia Civil, demonstram que o homicídio não teria sido uma decisão tomada de última hora. Aproximadamente quatro meses antes da morte do marido, a advogada contratou uma apólice de seguro de vida no valor de R$ 1 milhão em nome dele. Ela aparecia como única beneficiária.
A apuração também encontrou pesquisas feitas na internet relacionadas a plantas tóxicas, diferentes tipos de veneno e os efeitos provocados por essas substâncias. Em outra frente, a investigada teria procurado informações sobre dívidas vinculadas ao marido e que poderiam afetar a herança que seria deixada aos sucessores.
Outro ponto considerado pelos investigadores foi a adoção da adolescente de 13 anos. A Polícia Civil afirma que a advogada convenceu Aurélio a adotar a menina pouco tempo antes da morte dele.
Para dificultar a identificação dos envolvidos, os executores teriam usado luvas entregues pela própria advogada. O sistema de câmeras da residência também foi desconectado para impedir o armazenamento das imagens.
Mesmo sem as gravações serem preservadas, porém, o sistema teria permanecido acessível à investigada. De acordo com a Polícia Civil, ela conseguiu acompanhar pelo celular o que acontecia na residência enquanto estava fora do imóvel com a filha. Os nomes dos três suspeitos não foram divulgados pelas autoridades.
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) informou que a investigada não possui inscrição nos quadros da entidade em Goiás. A Subseção de Goiatuba, contudo, foi notificada e acompanha as diligências realizadas pela polícia.
Segundo a OAB-GO, o caso será encaminhado ao Tribunal de Ética e Disciplina (TED), responsável pela análise da situação no âmbito da entidade. A Ordem afirmou ainda que acompanha o caso com o objetivo de preservar a legalidade dos atos e as prerrogativas profissionais cabíveis.
A entidade também reiterou o compromisso com o devido processo legal e com o cumprimento das normas éticas relacionadas ao exercício profissional.