Câmeras registram espancamento de mais de sete minutos que matou homem após falsa acusação de roubo no Rio
Léo Carvalho
Publicado em 20 de agosto de 2026 às 15:00 | Atualizado há 59 minutos
Cláudio Rafael Landeiro, de 37 anos, morreu após ser espancado em Copacabana, no Rio de Janeiro | Foto: Reprodução
A Polícia Civil do Rio de Janeiro, que investiga o caso de Cláudio Rafael Landeiro, 37, espancado até a morte no dia 11 de agosto após ser falsamente acusado de um roubo em Copacabana, recolheu imagens que indicam que o espancamento durou mais de sete minutos e envolveu três agressores.
Entre eles está um homem apontado pelas investigações como segurança. Ele foi responsável por desferir mais de 30 golpes de porrete na vítima, segundo o vídeo.
As imagens foram registradas por uma câmera de segurança de um edifício na rua Felipe de Oliveira, em Copacabana, local para onde Landeiro foi após ser acusado do roubo de uma bicicleta. O veículo, segundo a família, pertencia a uma irmã da vítima.
Familiares relataram à 12ª DP (Copacabana) que Landeiro possuía transtornos mentais. Segundo a polícia, a vítima foi agredida em dois momentos diferentes.
A Polícia Civil identificou dois agressores, mas os nomes não foram divulgados.
As imagens mostram que dois entregadores possuíam mochilas do iFood. A reportagem perguntou à empresa se ela colabora com a identificação dos agressores, mas não houve resposta até a publicação deste texto.
As agressões começaram na rua Barata Ribeiro. Landeiro, que circulava de bicicleta pelo bairro, teria estacionado em um local e estava em pé, ao lado do veículo. Ele teria levantado suspeitas de pedestres, que acionaram um segurança que atua como vigilante de bares e restaurantes da região.
O segurança, segundo relatos colhidos pelos investigadores, perguntou a Landeiro se a bicicleta pertencia a ele. A vítima negou, mas teve dificuldade de comunicar que pertencia à irmã. Ali, Landeiro foi alvo das primeiras agressões, com golpes de porrete.
A vítima fugiu para a rua Felipe de Oliveira, também em Copacabana. A investigação indica que o segurança chamou dois entregadores para continuar as agressões. Eles encontraram Landeiro sentado na escada de um edifício. Puxado pela camisa, ele foi linchado por sete minutos.
As imagens mostram que o homem apontado como segurança desfere mais de 30 golpes de porrete, mesmo com Landeiro já caído no chão. Indica ainda que o segurança aproxima o celular do rosto da vítima, aparentemente gravando ou fotografando o homem caído.
Landeiro chegou a ser internado no hospital municipal Miguel Couto, na Gávea, mas não resistiu.
Nas redes sociais, moradores de Copacabana relatam que o homem reconhecido como o segurança responsável pelo espancamento tem outros episódios de agressões a pessoas em situação de rua.