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Morre aos 83 anos o ator e diretor Gracindo Júnior, filho de Paulo Gracindo

Léo Carvalho

Publicado em 2 de setembro de 2026 às 13:22 | Atualizado há 1 hora

Gracindo Júnior morreu aos 83 anos no Rio de Janeiro | Foto: Renato Rocha Miranda/Globo
Gracindo Júnior morreu aos 83 anos no Rio de Janeiro | Foto: Renato Rocha Miranda/Globo

Morreu na noite desta terça-feira (1º), aos 83 anos, o ator e diretor Gracindo Júnior, conhecido por trabalhos em novelas como “O Casarão”, “Dona Beija” e “O Salvador da Pátria”. A morte foi confirmada pelo ator e diretor Leonardo Brício, amigo do artista.

Gracindo Júnior morreu em casa, no Rio de Janeiro, na presença dos filhos e da mulher. A causa da morte não foi divulgada.

Leonardo Brício lamentou a morte do amigo em uma publicação nas redes sociais. Segundo ele, o último suspiro do artista ocorreu pouco antes das 22h. “Ontem, um pouco antes das 22h, meu amigo amado deu seu último suspiro, e quis Deus que eu estivesse ao lado dos seus filhos de sangue e de sua esposa nesse exato momento. Amigo, só posso te dizer que você foi e será sempre muito amado”, escreveu.

Brício também relembrou momentos de convivência com Gracindo Júnior, incluindo encontros, caminhadas e almoços. Os dois chegaram a trabalhar juntos na produção “Rei Davi”, em que Gracindo interpretou o rei Saul.

“Foram muitos encontros, caminhadas, almoços, e muito carinho e admiração. Veio daí ‘Rei Davi’ e você foi meu rei Saul. Depois nos encontrávamos com o pretexto de fazermos um projeto de teatro e você queria que eu dirigisse. Enfim, não rolou, mas os encontros pra isso rendiam tardes inesquecíveis para mim que ficarão guardados. Obrigado, amigo”, continuou o ator.

Nascido no Rio de Janeiro, Gracindo Júnior era filho do também ator Paulo Gracindo. Ele iniciou a trajetória artística no fim da década de 1950, quando participou de um teste para trabalhar na Rádio Nacional.

Naquele período, Paulo Gracindo vivia o auge da carreira na emissora, interpretando galãs em radionovelas. Em 1961, Gracindo Júnior estreou no teatro com a peça “A Escada”.

Além da carreira artística, o ator também teve envolvimento com questões políticas. Militante do Partido Comunista, foi cassado pela ditadura militar pouco depois do golpe de 1964 e ficou proibido de trabalhar no rádio.

Antes de chegar à TV Globo, passou por emissoras como TV Rio, TV Excelsior e TV Tupi. Com as restrições impostas pela ditadura, voltou-se ainda mais para a televisão, meio de comunicação que ainda estava em fase de consolidação no Brasil.

Em 1964, Gracindo Júnior foi um dos primeiros artistas contratados pela TV Globo, que iniciaria as transmissões no ano seguinte. Seu primeiro personagem na emissora foi Felipe, na novela “A Moreninha”.

Nos anos seguintes, participou de produções como “Padre Tião”, de 1965, “A Rainha Louca”, de 1967, e “A Próxima Atração”, de 1970.

Em 1973, dividiu o elenco de “O Bem-Amado” com o pai. A novela, escrita por Dias Gomes, tornou-se um dos grandes clássicos da teledramaturgia brasileira e acompanhava as ações do prefeito Odorico Paraguaçu, personagem interpretado por Paulo Gracindo.

Ao falar sobre a influência do pai em sua carreira, Gracindo Júnior destacou a importância da responsabilidade e da dedicação ao trabalho. “Eu acho que o que eu mais aprendi com o meu pai foi responsabilidade no meu trabalho, estima pelo meu trabalho, saber que meu trabalho é uma coisa muito importante”, afirmou ao projeto Memória Globo.

“Meu pai trabalhou 65 anos e nunca me lembro dele não tendo feito sucesso, em qualquer área de comunicação”, acrescentou.

Um dos trabalhos de maior destaque de Gracindo Júnior veio em 1976, com “O Casarão”. A novela apresentava a história em diferentes períodos e permitiu que pai e filho interpretassem o mesmo personagem em fases distintas. Gracindo Júnior viveu a versão jovem, enquanto Paulo Gracindo interpretou o personagem mais velho.

A carreira de Gracindo Júnior não ficou restrita à atuação. Em 1978, ele passou a supervisionar o núcleo de novelas das 18h da TV Globo. No ano seguinte, estreou na direção de novelas com “Memórias de Amor”, de Wilson Aguiar Filho, e “Marron-Glacé”, de Cassiano Gabus Mendes.

Em 1981, atuou em “Jogo da Vida”, de Silvio de Abreu. No ano seguinte, integrou o elenco da minissérie “Quem Ama Não Mata”, de Euclydes Marinho. Também dirigiu “Os Trapalhões” e os primeiros videoclipes musicais exibidos pelo “Fantástico”. Em 1984, deixou a Globo e foi para a TV Manchete.

Na nova emissora, participou de “Dona Beija”, novela que alcançou grande audiência. Posteriormente, retornou à Globo, onde esteve em produções como “Deus nos Acuda”, “O Salvador da Pátria”, “Explode Coração”, “Rainha da Sucata” e “Celebridade”.

Sua última novela na Globo foi “Como Uma Onda”, exibida em 2004. A partir de 2006, Gracindo Júnior passou a trabalhar na Record. Na emissora, integrou produções como “Cidadão Brasileiro”, “Luz do Sol”, “Poder Paralelo” e “Rei Davi”.

O ator estava afastado das telas havia cerca de oito anos.


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