Mendonça confirma depoimento de Vorcaro no STF sem participação da Polícia Federal
Léo Carvalho
Publicado em 2 de setembro de 2026 às 14:04 | Atualizado há 48 minutos
Ministro André Mendonça confirmou que Daniel Vorcaro prestou depoimento no STF sem a presença da PF| Foto: Antonio Augusto/STF/Victor Moriyama/Bloomberg
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou nesta quarta-feira (2) que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso no caso envolvendo o Banco Master, prestou recentemente um depoimento em seu gabinete. Segundo o ministro, a audiência contou com a participação do Ministério Público, mas não teve presença de agentes da Polícia Federal (PF).
A confirmação foi feita por meio de nota divulgada pela assessoria de Mendonça durante a tarde. O ministro afirmou que o depoimento ocorreu a pedido da defesa de Vorcaro, que teria relatado estar sofrendo ameaças e solicitado que fosse ouvido com urgência.
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Mendonça é o relator, no STF, da investigação envolvendo o Banco Master. Segundo a nota, o depoimento foi um procedimento processual regular e conduzido por um juiz auxiliar.
“O depoimento foi realizado por requerimento expresso da defesa do depoente, que relatou estar sofrendo graves intimidações e solicitou ser ouvido com urgência. Trata-se de ato processual regular, conduzido por juiz auxiliar”, afirmou.
A data em que Vorcaro foi ouvido não foi informada.
Mendonça nega menção a Moraes
O ministro também negou que assuntos relacionados ao colega Alexandre de Moraes tenham sido tratados durante a audiência. A declaração ocorre em meio à repercussão de mensagens atribuídas a Vorcaro que colocaram Moraes no centro da crise envolvendo o Banco Master. Os registros indicam que o ex-banqueiro mantinha contato com o ministro e conversava sobre questões relacionadas às investigações envolvendo a instituição financeira.
Segundo Mendonça, a participação do Ministério Público é obrigatória em depoimentos desse tipo, enquanto a presença da Polícia Federal não é uma exigência. “Tratando-se de depoimento motivado por relato de graves intimidações, a não convocação de agentes policiais seguiu essa mesma diretriz de proteção, e não qualquer escolha de conveniência do gabinete”, declarou.
O conteúdo da audiência está protegido por sigilo. “O conteúdo da audiência é resguardado por sigilo legal. Registre-se, apenas, que a informação de que teriam sido abordados temas relacionados ao ministro Alexandre de Moraes não procede”, afirmou.
Esta foi a segunda manifestação pública de Mendonça sobre o caso Master nesta quarta-feira. Mais cedo, o ministro confirmou que havia se encontrado com Vorcaro em 2025. O encontro havia sido revelado pelo jornalista Paulo Motoryn, em sua página Noites Húngaras.
A atuação de Mendonça na investigação também passou a receber críticas de setores da Polícia Federal, que apontam possíveis excessos na condução do caso.
Fachin anuncia medidas
Também nesta quarta-feira, o presidente do STF, Edson Fachin, afirmou que deverá adotar medidas diante das revelações envolvendo as mensagens de Vorcaro.
Sem citar diretamente Moraes, Mendonça, Vorcaro ou o Banco Master, Fachin afirmou que a autoridade do cargo não elimina deveres e responsabilidades. “A elevada autoridade do cargo não confere privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades, que devem ser observados com absoluto respeito à Constituição, às leis e ao Supremo Tribunal Federal”, declarou.
As mensagens divulgadas na terça-feira (1º) mostram que Vorcaro procurou Moraes enquanto tentava encontrar alternativas para o Banco Master. Em diferentes registros, o ex-banqueiro questiona sobre o andamento das investigações contra a instituição.
Pouco antes de sua prisão, Vorcaro também teria marcado um encontro com Moraes e perguntado se deveria deixar o país.
As mensagens ainda registram pedidos para que fossem acionados o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, em uma tentativa de conter as investigações.
Contrato com escritório da esposa de Moraes
Documentos relacionados ao caso também mencionam um contrato de aproximadamente R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.
Há ainda uma segunda proposta, no valor de R$ 50 milhões, que previa pagamento por meio de cotas de um jatinho e de um helicóptero.
Parte das mensagens foi atribuída diretamente a Moraes. Em outros trechos, a Polícia Federal afirma apenas suspeitar que o ministro fosse o interlocutor de Vorcaro.
A extração dos dados recuperou mensagens enviadas pelo ex-banqueiro, mas não eventuais respostas. Segundo os documentos, os dois utilizariam imagens de visualização única, com textos escritos em outro aplicativo.
Os registros também não comprovam que os pedidos feitos por Vorcaro tenham sido efetivamente atendidos.
Mensagens antes da prisão
Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal em 17 de novembro de 2025, quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta. Documentos mostram que, três dias antes, em 14 de novembro, o ex-banqueiro perguntou a Moraes se estava “marcado amanhã lá em casa” ou se ele “prefere deixar para semana que vem”.
Pouco depois, Vorcaro confirmou o compromisso: “Vou chegar 14:30 ok! La em casa marcado”. Na noite de 15 de novembro, dois dias antes da prisão, o ex-banqueiro voltou a procurar Moraes e pediu um encontro que “pode ser bem rápido”.
“Às 14 então. Passo na sua casa ou na minha?”, escreveu. Ainda naquela conversa, Vorcaro perguntou: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”, em uma referência à possibilidade de deixar o Brasil.
No domingo, 16 de novembro, um dia antes de ser preso, ele informou: “Já estou em voo, vou pousar 14:20 e irei direto praí, tudo bem?”.