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Decisão de Dino recoloca Andrei na PF e expõe encontro de Mendonça com Vorcaro

DM Online

Publicado em 9 de setembro de 2026 às 11:11 | Atualizado há 2 horas

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (9) a reintegração de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal (PF). A decisão também garantiu o retorno de Leandro Almada à Diretoria de Inteligência da corporação. Os dois haviam sido afastados por determinação do ministro André Mendonça.

Ao analisar o caso, Dino decidiu suspender os efeitos do afastamento e determinou o retorno imediato dos delegados às funções. O ministro considerou, entre outros pontos, os possíveis impactos da retirada da cúpula da PF sobre investigações em andamento e que estão sob supervisão do Supremo.

Na decisão, Dino também mencionou a reunião entre André Mendonça e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O encontro passou a fazer parte da controvérsia envolvendo o ministro, a Polícia Federal e as apurações relacionadas ao empresário.

A menção feita por Dino não significa que o ministro tenha considerado irregular, por si só, a reunião entre Mendonça e Vorcaro. O episódio aparece na decisão dentro de uma discussão mais ampla sobre as circunstâncias do caso e a atuação de integrantes do Supremo em medidas que produzem efeitos sobre investigações conduzidas pela PF.

Mendonça havia determinado o afastamento de Andrei Rodrigues e Leandro Almada após levantar suspeitas sobre relatórios produzidos pela área de inteligência da Polícia Federal. O ministro apontou possíveis irregularidades na obtenção e no tratamento de informações relacionadas às suas atividades e determinou providências para apurar a responsabilidade pela produção dos documentos.

A decisão provocou forte repercussão porque atingiu simultaneamente o diretor-geral da PF e o responsável pela área de Inteligência da instituição. Além das consequências administrativas, o afastamento poderia interferir na condução de investigações sensíveis em andamento.

Foi justamente esse possível impacto que entrou na análise de Dino. O ministro entendeu que a manutenção dos afastamentos poderia comprometer o funcionamento da Polícia Federal e afetar apurações que tramitam sob acompanhamento de outros ministros do STF.

O encontro entre Mendonça e Vorcaro acrescentou outro elemento à disputa. Vorcaro está no centro das investigações relacionadas ao Banco Master, e seus contatos com autoridades passaram a receber atenção em meio ao avanço das apurações.

Ao trazer a reunião para a decisão, Dino colocou em discussão também a necessidade de observar critérios de imparcialidade quando medidas judiciais atingem investigações relacionadas a fatos que, direta ou indiretamente, envolvem integrantes da própria Corte.

O episódio ampliou uma crise institucional no Supremo e expôs uma divergência entre ministros sobre os limites das decisões individuais. De um lado, Mendonça sustenta a necessidade de investigar a atuação da inteligência da PF e as circunstâncias em que informações sobre ele foram reunidas. De outro, Dino considerou que o afastamento imediato da cúpula da corporação produzia consequências que ultrapassavam a apuração específica.

Com a nova decisão, Andrei Rodrigues retorna ao comando da Polícia Federal e Leandro Almada reassume a Diretoria de Inteligência. A reintegração, porém, não encerra as apurações sobre os relatórios nem resolve as demais controvérsias que surgiram durante o caso.

A disputa deverá continuar no Supremo, que terá de enfrentar não apenas os questionamentos sobre a atuação da Polícia Federal, mas também uma questão institucional mais ampla: quais são os limites para decisões individuais de ministros quando elas interferem diretamente no comando de um órgão responsável por investigações acompanhadas pela própria Corte.


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