Cotidiano

Operação investiga estrutura financeira ligada à compra de distribuidora de combustíveis em Goiás

Redação Online

Publicado em 24 de setembro de 2026 às 21:20 | Atualizado há 40 minutos

Empresa de Senador Canedo é alvo de operação que apura lavagem de dinheiro | Foto: Receita Federal
Empresa de Senador Canedo é alvo de operação que apura lavagem de dinheiro | Foto: Receita Federal

Uma empresa de Senador Canedo, na Região Metropolitana de Goiânia, foi alvo, nesta quinta-feira (24/09), de uma operação da Receita Federal e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A ação apurou uma estrutura financeira que teria ocultado patrimônio e disfarçado a origem de recursos usados na compra de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país.

Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, a empresa relacionada à negociação foi a Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., conhecida como Terrana, que mantém uma base em Senador Canedo. O Ministério Público de Goiás (MPGO) informou que documentos e dispositivos eletrônicos foram apreendidos na sede da companhia durante o cumprimento do mandado.

A operação também teve como alvos Antônio Carlos Freixo Junior, dono da Entre Investimentos, Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-executivo do Banco Genial, e os irmãos André e Bruno Tupinambá. Ao todo, 26 alvos estavam em São Paulo e outros seis foram distribuídos entre Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina. A ação alcançou 13 pessoas físicas e 19 empresas.

A operação Crédito Oculto, desdobramento da Operação Carbono Oculto, apurou uma estrutura que movimentou cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025 por meio de uma das empresas financeiras investigadas. De acordo com a Receita Federal, empresas, fundos de investimento, holdings, fintechs e empresas de fachada criaram diferentes camadas para afastar os recursos dos beneficiários efetivos.

Os investigadores identificaram ainda uma operação de R$ 370 milhões relacionada a valores que uma empresa sucroalcooleira tinha a receber. Segundo a apuração, cerca de R$ 100 milhões foram destinados à compra da distribuidora de combustíveis após passarem por contas de empresas ligadas ao grupo e por fintechs. O montante chegou a um fundo criado especificamente para a operação e depois foi aplicado em um CDB com participação de um banco e duas empresas de fachada.

A Receita Federal identificou uma segunda frente de movimentação patrimonial. Imóveis ligados aos investigados foram transferidos para empresas patrimoniais e, posteriormente, para fundos imobiliários. Segundo o órgão, a estrutura permitiu que os bens permanecessem sob controle do grupo sem aparecer diretamente como patrimônio pessoal dos investigados.

A Receita Federal e os Ministérios Públicos envolvidos apontaram indícios de ocultação patrimonial, dissimulação da origem dos recursos e lavagem de capitais. A investigação indicou que cada estrutura tinha uma função específica: fintechs movimentavam valores, a empresa sucroalcooleira recebia recursos, fundos financiavam operações e holdings e empresas patrimoniais separavam os bens de seus controladores.


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