Brasil
Sinais de alerta no comportamento de crianças e adolescentes
Fernando Henrique - Estágio DM
Publicado em 26 de setembro de 2026 às 11:13 | Atualizado há 1 hora
Mudanças persistentes no comportamento e na rotina podem indicar que crianças e adolescentes precisam de ajuda e atenção | Foto: Reprodução
Nem sempre uma criança ou adolescente consegue dizer diretamente que está sofrendo. Mudanças persistentes no comportamento, no humor, na rotina, nas relações e até na forma de usar a internet podem indicar que algo não vai bem.
Falas de desesperança, autodesvalorização, despedida ou referências à morte e à autolesão também merecem atenção.
As orientações abaixo foram adaptadas de materiais do Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio, incluindo a cartilha voltada a pais e educadores sobre prevenção do suicídio na internet. O conteúdo reúne sinais de alerta, orientações sobre como agir e caminhos para buscar ajuda.

Sinais de alerta
- Tristeza persistente ou mudanças bruscas de humor.
- Isolamento da família e dos amigos.
- Perda de interesse por atividades de que gostava.
- Irritabilidade, agressividade ou explosões de raiva.
- Queda no rendimento escolar.
- Cansaço excessivo ou mudanças importantes na rotina.
- Falas de desvalorização, desesperança ou despedida.
- Comentários como “queria sumir”, “sou um problema” ou “ninguém vai sentir minha falta”.
- Desapego repentino de objetos importantes.
- Tentativas de esconder marcas ou ferimentos no corpo.
- Um sinal isolado não permite concluir que existe risco de suicídio. Mudanças persistentes, intensas ou combinadas merecem atenção.
Sinais no ambiente digital
- Postagens, imagens ou mensagens sobre morte, autolesão ou desesperança.
- Busca frequente por conteúdos relacionados a suicídio ou métodos de autolesão.
- Participação em grupos que incentivam autolesão ou comportamentos suicidas.
- Participação em desafios perigosos na internet.
- Aumento brusco do uso da internet, especialmente durante a madrugada.
- Isolamento repentino ou mudanças na forma de interagir online.
- Nervosismo excessivo quando fica longe do celular ou de outros dispositivos.
O que fazer

- Abra espaço para uma conversa em um momento tranquilo.
- Pergunte diretamente como a criança ou o adolescente está.
- Diante de uma preocupação, pergunte se ele tem pensado em se machucar ou em morrer.
- Escute sem julgamento e demonstre que o sofrimento está sendo levado a sério.
- Evite minimizar a situação com frases como “isso é coisa da idade” ou “você está exagerando”.
- Procure ajuda profissional quando houver sinais persistentes de sofrimento.
- Se houver relato de pensamentos ou planos de suicídio, não prometa guardar segredo.
- Mantenha a criança ou o adolescente acompanhado diante de uma situação de risco.
- Restrinja o acesso a medicamentos, produtos tóxicos e outros meios que possam ser usados para provocar ferimentos.
- Em uma situação de risco imediato, procure atendimento de emergência.
O que evitar
- Não tratar o sofrimento como “frescura” ou tentativa de chamar atenção.
- Não debochar nem desafiar a criança ou o adolescente.
- Não reagir com gritos, ameaças, raiva ou punição.
- Não pressionar o jovem a explicar o que sente imediatamente.
- Não prometer sigilo diante de um relato de pensamentos ou planos de suicídio.
- Não retirar completamente o acesso à internet como única resposta a um problema relacionado ao ambiente digital.
- Não ignorar mudanças importantes de comportamento.
Onde buscar ajuda
- CVV (Centro de Valorização da Vida): telefone 188, gratuito e disponível 24 horas. Também oferece atendimento online: cvv.org.br
- SUS: procure uma UBS (Unidade Básica de Saúde) para orientação e encaminhamento.
- CAPS (Centros de Atenção Psicossocial): serviços de saúde mental da rede pública. Para crianças e adolescentes, existem os CAPSi (Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil), conforme a organização da rede local.
- Pronto-socorro ou unidade de emergência: procure atendimento em situações de crise ou diante de risco imediato de suicídio ou autolesão grave.
- Samu: telefone 192, para urgências e emergências médicas.
- Corpo de Bombeiros: telefone 193, em situações de emergência que exijam resgate ou atendimento imediato.
- Polícia Militar: telefone 190, em situações de emergência com risco imediato.
- Disque 100: canal para denúncias de violações de direitos humanos, incluindo situações de violência contra crianças e adolescentes.
- SaferNet: oferece orientação sobre violência, violações de direitos e situações relacionadas à segurança no ambiente digital.
- Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio: Oferece grupos de apoio aos enlutados e a familiares de pessoas com ideação suicida, cartilhas informativas sobre prevenção e posvenção e cursos para profissionais. vitaalere.com.br
- Abrases (Associação Brasileira dos Sobrevivente Enlutados por Suicídio): Disponibiliza materiais informativos, como cartilhas e ebooks, e indica grupos de apoio em todas as regiões do país. abrases.org.br. (Bárbara Sá/FOLGHAPRESS)