Política

Lula e Flávio mudam estratégia, confrontam propostas e exploram fragilidades no último debate

Redação Online

Publicado em 24 de outubro de 2026 às 00:25 | Atualizado há 47 minutos

Lula e Flávio Bolsonaro priorizaram propostas econômicas e sociais, mas protagonizaram troca de acusações pessoais no último debate antes do segundo turno | Foto: Reprodução/Rede Globo
Lula e Flávio Bolsonaro priorizaram propostas econômicas e sociais, mas protagonizaram troca de acusações pessoais no último debate antes do segundo turno | Foto: Reprodução/Rede Globo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) adotaram uma postura diferente no último confronto televisivo antes do segundo turno. O encontro, promovido pela TV Globo na sexta-feira (23/10), abriu espaço para propostas econômicas, políticas sociais e infraestrutura, mas também expôs divergências e ataques pessoais.

Flávio Bolsonaro concentrou parte de sua estratégia no endividamento das famílias e na perda do poder aquisitivo. O candidato prometeu refinanciar dívidas bancárias, preservar reajustes acima da inflação para salários e aposentadorias e evitar medidas fiscais que prejudiquem os mais pobres. Lula rebateu as críticas e defendeu os resultados econômicos de sua administração.

O presidente procurou associar uma eventual vitória do adversário ao enfraquecimento de programas de transferência de renda e serviços públicos. Também questionou declarações anteriores de Flávio sobre o Bolsa Família e seu voto contrário à ampliação da licença-maternidade. O senador reconheceu que errou ao se posicionar contra a medida destinada às mulheres.

Lula questionou posições atribuídas ao médico Cláudio Lottenberg, indicado por Flávio para o Ministério da Saúde. O petista levantou dúvidas sobre o financiamento público do Sistema Único de Saúde (SUS). O senador rejeitou qualquer ameaça ao sistema e prometeu ampliar os valores destinados a exames e cirurgias nos hospitais estaduais e municipais.

Flávio criticou a paralisação de obras públicas e apresentou propostas de expansão ferroviária e concessões rodoviárias, inclusive com isenção de pedágio para motociclistas. Lula destacou investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento e citou o túnel Santos-Guarujá como exemplo de parceria entre os governos federal e estadual.

O candidato do PL acusou o presidente de prejudicar o setor agropecuário. Lula contestou a afirmação, destacou o desempenho das exportações e mencionou a abertura de mercados internacionais. O petista também criticou a aproximação do adversário com Donald Trump diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.

A relativa moderação perdeu força após Flávio chamar Lula de “nove dedos”. O presidente reagiu com o termo “miliciano” e acusou o senador de ter ocupado um cargo como funcionário fantasma. O candidato do PL pediu desculpas pela referência à deficiência física do adversário.

O confronto apresentou uma mudança em relação ao debate anterior, marcado por acusações mais frequentes. Lula priorizou a defesa das políticas sociais e dos resultados de seu governo, enquanto Flávio apostou nas dificuldades financeiras das famílias e em promessas de recuperação econômica. Ambos procuraram explorar as vulnerabilidades do adversário às vésperas da votação decisiva.


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