Política

Lula busca apoio de partidos que ficaram com Flávio para governar

Léo Carvalho

Publicado em 27 de outubro de 2026 às 12:03 | Atualizado há 1 hora

Lula recebeu Hugo Motta e Davi Alcolumbre no Palácio da Alvorada para discutir a relação entre Executivo e Congresso | Foto: Ricardo Stuckert
Lula recebeu Hugo Motta e Davi Alcolumbre no Palácio da Alvorada para discutir a relação entre Executivo e Congresso | Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou as articulações políticas para o próximo mandato com uma reunião com os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O encontro ocorreu na segunda-feira (26), no Palácio da Alvorada, um dia após a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial.

A conversa tratou da relação entre o governo e o Congresso Nacional. Motta e Alcolumbre apoiaram a reeleição de Lula, embora seus partidos tenham declarado apoio a Flávio no segundo turno. Os dois parlamentares também buscam apoio para continuar à frente da Câmara e do Senado a partir de fevereiro de 2027.

Após a reunião, Hugo Motta afirmou que esteve com Lula para cumprimentá-lo e reafirmar o compromisso com a harmonia entre os Poderes. O deputado também defendeu o trabalho conjunto do Congresso para avançar nas pautas de interesse do país.

A aproximação ocorre em um momento em que o presidente precisa organizar sua base parlamentar para o novo mandato. O Republicanos e a federação União Progressista, formada pelo PP e pelo União Brasil, apoiaram Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.

Apesar do encontro, não havia confirmação de um acordo formal entre Lula e as direções dessas legendas para a composição do próximo governo.

Dentro do PP, parlamentares apresentaram posições diferentes sobre a relação com o governo eleito. O senador eleito Arthur Lira (PP-AL) defendeu diálogo e responsabilidade após o resultado das urnas. Já a senadora Tereza Cristina (PP-MS) afirmou que pretende fiscalizar o governo e atuar na oposição.

O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, reconheceu a vitória de Lula e defendeu diálogo com o Congresso e respeito às diferenças políticas.

A participação de partidos de centro na próxima gestão dependerá das negociações entre o Palácio do Planalto e as lideranças partidárias. A distribuição de espaços no governo é um dos temas que poderão entrar nas conversas, mas não havia definição anunciada sobre a composição ministerial.

Hugo Motta e Davi Alcolumbre também articulam a recondução aos comandos da Câmara e do Senado, respectivamente, em fevereiro de 2027. O apoio do governo poderá influenciar as disputas pelas presidências das duas Casas.

A composição do Congresso eleito para a próxima legislatura impõe ao governo a necessidade de negociar com diferentes partidos. Na Câmara, o PL terá a maior bancada, com 121 deputados, enquanto o PT contará com 70 parlamentares. No Senado, o PL terá 29 cadeiras e o PT, dez.

A nova configuração parlamentar será determinante para a votação de projetos do Executivo e de propostas que exigem maior número de votos.

Lula afirmou, no discurso após a vitória eleitoral, que trabalhará com o Congresso escolhido pelos eleitores. A declaração sinaliza a disposição de manter as negociações com deputados e senadores para conduzir a agenda do próximo mandato.


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