Dólar cai 1,67% e Bolsa sobe após tombo histórico na véspera
Léo Carvalho
Publicado em 27 de outubro de 2026 às 13:05 | Atualizado há 41 minutos
Dólar recua e Ibovespa sobe nesta terça-feira após fortes perdas registradas no mercado financeiro na véspera | Foto: Divulgação
O dólar recuava 1,67% nesta terça-feira (27), cotado a R$ 5,317 por volta das 11h13, após registrar a maior alta diária desde 1999 na sessão anterior. No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, subia 0,40%, aos 177.624 pontos. O movimento ocorre após a forte reação dos investidores à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na segunda-feira (26), o dólar avançou 8,41% e fechou a R$ 5,409. A valorização foi a maior desde 15 de janeiro de 1999, quando a moeda americana subiu 11% em um único pregão, no início do regime de câmbio flutuante no Brasil.
A Bolsa também registrou perdas expressivas. O Ibovespa caiu 13,88%, aos 176.608 pontos, na maior desvalorização diária desde março de 2020, durante o início da pandemia de Covid-19. A queda levou a B3 a acionar o mecanismo de circuit breaker pela primeira vez desde aquele período.
A recuperação desta terça-feira também alcançou o mercado de juros futuros. Por volta das 11h13, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 recuava 48 pontos-base, para 14,340% ao ano. O contrato para janeiro de 2031 caía 38 pontos-base, para 14,845%.
Mercado reage à mudança de expectativas
Segundo Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX, os investidores haviam incorporado aos preços dos ativos a expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro (PL). O resultado eleitoral provocou uma mudança nas posições dos agentes financeiros.
Mattos afirmou que a vitória de Lula aumentou a preocupação dos investidores com a condução das contas públicas. A avaliação de uma política fiscal mais expansionista elevou a percepção de risco dos ativos brasileiros e a exigência de remuneração para investimentos no país.
Na segunda-feira, a alta dos juros futuros refletiu o aumento das preocupações com o equilíbrio fiscal. Taxas mais elevadas podem encarecer o crédito para empresas e consumidores, além de influenciar as decisões de investimento e as perspectivas de lucro das companhias.
Nesta terça-feira, mais de 50 das 76 ações que compõem o Ibovespa registravam valorização. Entre os destaques estavam empresas dos setores de varejo, saúde e bancos, que podem se beneficiar de condições de crédito menos restritivas e de uma demanda maior.
As ações do Magazine Luiza e da Hapvida, que haviam caído 58,23% e 54,93%, respectivamente, na segunda-feira, registravam altas próximas de 11% cada nesta terça-feira.
Tesouro atua para conter volatilidade
O Tesouro Nacional anunciou nesta terça-feira a recompra de títulos públicos atrelados à inflação e o cancelamento de leilões de Tesouro Selic. Na segunda-feira, o órgão já havia recomprado 5 milhões de títulos prefixados com juros semestrais, em uma operação de R$ 7,1 bilhões.
As operações ocorrem em meio à disparada das taxas dos títulos públicos no mercado secundário. A elevação dos juros futuros reflete, entre outros fatores, as expectativas dos investidores sobre a trajetória da taxa Selic e a situação fiscal do país.
Na segunda-feira, o contrato de DI para janeiro de 2031 chegou ao fim do pregão com alta de 254 pontos-base, a 15,190% ao ano. O risco-Brasil encerrou o dia com avanço de 19,15%, depois de subir 27% no início da sessão.
O indicador mede a percepção de risco associada aos investimentos no país. Uma elevação pode aumentar os custos de captação de recursos no exterior para empresas e para o governo brasileiro.
Bancos revisam avaliação dos ativos brasileiros
A reação do mercado também levou instituições financeiras a rever suas recomendações para investimentos no Brasil.
O J.P. Morgan reduziu sua recomendação para o real e os títulos públicos brasileiros de exposição acima da referência para exposição em linha com o índice utilizado como parâmetro. Em relatório, analistas do banco apontaram incertezas sobre a política econômica do próximo governo e a composição da nova equipe administrativa.
O BTG Pactual, por sua vez, projetou uma possível desvalorização de 10% a 15% do real e estimou que as ações brasileiras podem enfrentar vendas expressivas nas semanas seguintes à eleição.
A trajetória dos ativos dependerá das próximas sinalizações do governo sobre as contas públicas e das medidas econômicas que serão anunciadas. A reação desta terça-feira representa uma recuperação parcial após as perdas registradas na sessão anterior.