Lula critica saída de Flávio Bolsonaro do Brasil e chama decisão de “vergonhosa”
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 28 de outubro de 2026 às 09:52 | Atualizado há 2 horas
Lula criticou a viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos | Foto: Reprodução
O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nesta terça-feira (27), a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil e classificou a decisão como “vergonhosa”. Durante um discurso em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília, Lula afirmou que o parlamentar deveria permanecer no país para responder às acusações investigadas pelas autoridades. O presidente também criticou a relação da família Bolsonaro com os Estados Unidos, dizendo que seus integrantes “lambem botas” dos norte-americanos.
Ao comentar a viagem, Lula afirmou que Flávio poderia ter ficado no Brasil para demonstrar que as acusações contra ele não são verdadeiras. Para o presidente, a saída do senador levanta questionamentos sobre sua disposição de enfrentar as investigações. O petista declarou que quem deixa o país escondido “é porque deve alguma coisa” e reforçou o argumento com a frase “quem não deve não teme”.
Lula também voltou a chamar Flávio de “miliciano” e contestou possíveis alegações do senador de que o Brasil não vive em uma democracia. Segundo o presidente, a candidatura do parlamentar à Presidência da República demonstra que existe espaço para a participação política no país.
“Não vai dizer lá fora que o Brasil não tem democracia. Se não tivesse, um miliciano não seria candidato a presidente”, declarou.
O discurso ocorreu no dia em que Lula completou 81 anos. Na ocasião, ele falou a apoiadores reunidos nas proximidades da residência oficial.
Viagem aos Estados Unidos ocorreu após ordem para entrega de passaportes
Flávio Bolsonaro embarcou para os Estados Unidos nesta terça-feira (27), acompanhado da esposa e das duas filhas. A viagem teria sido organizada com a participação de um grupo restrito de aliados no Brasil e no exterior, com o objetivo de evitar que a saída do senador fosse divulgada antecipadamente.
A ida ao exterior ocorreu após o parlamentar ser intimado a entregar os passaportes comum e diplomático à Polícia Federal (PF). A determinação foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão envolvendo Flávio e o empresário Willer Tomaz. As apurações estão relacionadas a possíveis irregularidades em empresas de apostas e plataformas de pagamento.
O pedido de apreensão dos documentos foi apresentado pela Polícia Federal e autorizado por Moraes. Flávio tinha até o início desta terça-feira para cumprir a ordem judicial.
Na segunda-feira (26), o senador visitou o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, no condomínio Solar de Brasília, localizado no Jardim Botânico, no Distrito Federal. Depois do encontro, publicou um vídeo em que relatou ter sido abordado por agentes da Polícia Federal e intimado a entregar os passaportes.
Como o prazo terminou sem a entrega dos documentos, a PF cancelou os passaportes do parlamentar e informou que comunicaria o descumprimento da determinação ao ministro Alexandre de Moraes.
Estados Unidos confirmam emissão de vistos para a família
O governo dos Estados Unidos confirmou, nesta terça-feira (27), que concederá vistos a Flávio Bolsonaro e aos familiares que o acompanham na viagem.
Mais tarde, o advogado mexicano Simón Levy, ligado ao movimento Make America Great Again (MAGA), associado ao presidente norte-americano Donald Trump, afirmou que o senador havia chegado em segurança ao território norte-americano.
A viagem ocorreu enquanto Flávio é alvo de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF). As suspeitas apuradas pelas autoridades ainda dependem do andamento das investigações e não equivalem, por si só, a uma condenação.
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