Internacional

Piloto diz que Flávio Bolsonaro estava em lista de passageiros de jato na Argentina

Léo Carvalho

Publicado em 27 de outubro de 2026 às 15:14 | Atualizado há 43 minutos

Um piloto afirmou que Flávio Bolsonaro constava na lista de passageiros de um jato executivo na Argentina | Foto: Reprodução
Um piloto afirmou que Flávio Bolsonaro constava na lista de passageiros de um jato executivo na Argentina | Foto: Reprodução

O piloto Mauro Mattosinho afirmou nesta terça-feira (27) ter recebido a informação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) constava na lista de passageiros de um jato executivo que estava no aeroporto de Puerto Iguazú, na Argentina. Até o momento, porém, não há confirmação de que o parlamentar tenha chegado ao local ou embarcado na aeronave.

Segundo Mattosinho, um funcionário do aeroporto, que pediu para não ser identificado, informou durante a madrugada que a decolagem estava prevista inicialmente para as 2h, mas o avião continuava na pista às 7h.

“Segundo me informaram, a decolagem inicialmente estava prevista para as 2 horas da madrugada, mas permanecia na pista às 7 horas”, disse o piloto à reportagem.

De acordo com o relato, o avião é um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, operado pela empresa argentina Baires Fly S.A. A aeronave saiu de Buenos Aires às 22h14 de segunda-feira (26) e pousou em Puerto Iguazú às 23h45. O voo teria como destino transportar quatro passageiros, entre eles Flávio Bolsonaro, além de três tripulantes.

O funcionário relatou que três passageiros já haviam se apresentado por volta de 1h30, mas problemas na documentação suspenderam a decolagem. Ainda segundo a informação repassada ao piloto, o campo destinado aos documentos de identificação de Flávio estava em branco.

A Direção Nacional de Migrações da Argentina informou que não havia registro da entrada de Flávio Bolsonaro no país. No Brasil, as verificações iniciais também não apontaram passagem oficial do senador por um posto regular de fronteira.

A Polícia Federal realiza buscas em pontos de fronteira para verificar se o parlamentar deixou o território brasileiro. Os agentes também checam informações sobre voos entre Brasil e Argentina.

O aeroporto internacional de Puerto Iguazú fica a cerca de 22 quilômetros da fronteira brasileira. O trajeto entre o terminal e a Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga a cidade argentina a Foz do Iguaçu, no Paraná, pode ser percorrido de carro em aproximadamente meia hora, sem considerar o tempo necessário para os controles migratórios e aduaneiros.

O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio, negou que ele tenha deixado o Brasil.

Na segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o cancelamento dos passaportes comum e diplomático de Flávio Bolsonaro e proibiu sua saída do país. A decisão ocorreu um dia após a derrota do senador para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial.

A informação sobre a possível viagem foi divulgada inicialmente pelo site argentino Infobae, que identificou a aeronave e informou que a empresa Baires Fly havia solicitado procedimentos alfandegários e migratórios para quatro passageiros e três tripulantes.

Mauro Mattosinho trabalhou na TAP, Táxi Aéreo Piracicaba, empresa que transportava empresários investigados na Operação Carbono Oculto, deflagrada para apurar um esquema de lavagem de dinheiro e fraudes no setor de combustíveis, com suspeitas de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

O piloto já prestou informações à Polícia Federal sobre o uso de jatos executivos por empresários e políticos. Neste ano, candidatou-se a deputado federal por São Paulo pelo PSB, recebeu 404 votos e não foi eleito.

Até o momento, não há confirmação de que Flávio Bolsonaro tenha chegado ao aeroporto de Puerto Iguazú ou embarcado no jato citado no relato.


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