Política

Erika Hilton pede bloqueio de bens de Flávio Bolsonaro após fuga dele e da esposa para os Estados Unidos

DM Online

Publicado em 27 de outubro de 2026 às 14:19 | Atualizado há 41 minutos

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) anunciou nesta terça-feira (27) que vai pedir o bloqueio dos bens e das contas bancárias do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e de sua esposa, Fernanda. Em publicação nas redes sociais aberta com a expressão “traidor da pátria”, a parlamentar afirma agir “frente às notícias de fuga” do senador, derrotado por Lula (PT) no segundo turno da eleição presidencial de domingo (25).

O pedido chega no dia em que o destino de Flávio virou o principal assunto em Brasília. O senador não entregou seus passaportes à Polícia Federal até o prazo fixado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, que terminou no fim da manhã desta terça. Segundo duas fontes da PF ouvidas pela Reuters, os documentos foram cancelados após o descumprimento.

A ordem de Moraes

A decisão do ministro, tomada na noite de domingo, saiu no âmbito de uma investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro que envolve Flávio e o advogado Willer Tomaz. Moraes cancelou todos os passaportes brasileiros do senador, incluindo o diplomático, proibiu o contato entre os dois investigados, deu 24 horas para a entrega de eventuais documentos de viagem estrangeiros e vetou a saída de Flávio do país.

Na segunda-feira (26), o próprio Flávio contou em vídeo que foi abordado por agentes da PF na rua, ao sair da casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e informado da proibição. Ele publicou o relato nas redes e criticou a medida.

No mesmo dia, Erika Hilton já havia acionado o Supremo. Ela pediu a Moraes a apreensão dos passaportes do senador e citou um suposto risco concreto de fuga. A petição menciona informações de que Flávio teria sido cadastrado como “usuário master” na conta bancária de uma empresa ligada a Tomaz. Na sexta-feira (23), Moraes havia mandado bloquear até R$ 6 bilhões em bens e valores do advogado e cancelar os passaportes dele. Até aqui, esse bloqueio atinge apenas Tomaz, não o patrimônio de Flávio.

Versões desencontradas

A suspeita de fuga ganhou corpo na madrugada. O site argentino Infobae publicou que Flávio teria cruzado a fronteira com a Argentina e seguido para os Estados Unidos em um avião particular. Pela versão do Infobae, ele teria usado apenas a carteira de identidade para entrar no país vizinho e iria até Puerto Iguazú, na província de Misiones, para embarcar. A emissora argentina TN afirmou que o senador teria atravessado a pé, entre 21h e 22h de segunda.

O governo de Javier Milei contesta. O porta-voz da Presidência argentina, Fabián Fernández, disse à Bloomberg que Flávio nunca entrou na Argentina e que nenhum avião com as características descritas decolou para os EUA. Dados do Flightradar24 consultados pelo UOL mostram que a aeronave citada foi de Buenos Aires a Puerto Iguazú na noite de segunda, sem registro de voo posterior para os Estados Unidos.

Do lado brasileiro, a informação também não fecha. Até a manhã desta terça, a PF não tinha registro de passagem do senador por controles oficiais de fronteira. O coordenador da campanha, Rogério Marinho, negou a saída do país. Ao mesmo tempo, dois aliados de Flávio disseram ao SBT News que ele atravessou para a Argentina com a intenção de chegar aos EUA, e a assessoria do senador não se manifestou.

Os argumentos da deputada

Na publicação, Erika Hilton diz que Flávio mostrou “ímpeto golpista” ao rejeitar o resultado das urnas. Logo após a derrota, o senador se recusou a reconhecer o resultado e anunciou que tentaria anular a eleição, alegando que a extensão do horário de votação no domingo beneficiou o candidato do governo. Depois, desistiu da anulação, mas disse que vai pedir a cassação da chapa de Lula.

A deputada também cita o irmão do senador. Em entrevista a um programa americano, Eduardo Bolsonaro declarou: “Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que saia do país”. Eduardo, que vive nos EUA, foi condenado pela Primeira Turma do STF em junho a 4 anos e 2 meses de prisão por coação no curso do processo, por ter atuado junto ao governo americano por sanções e tarifas contra o Brasil para frear o julgamento do pai. Em setembro, o tribunal rejeitou o recurso da defesa.

Ainda não há decisão sobre o novo pedido da deputada. Como o mandato de Flávio no Senado termina no início de 2027, ele perderá o foro privilegiado.

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