Kassab libera filiados do PSD para integrar governo Lula
Léo Carvalho
Publicado em 27 de outubro de 2026 às 14:02 | Atualizado há 45 minutos
Gilberto Kassab libera integrantes do PSD para participar do governo Lula | Foto: Pedro França
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou nesta terça-feira (27) que os integrantes da sigla estão autorizados a participar do novo governo do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas ressaltou que o partido manterá uma posição independente. A declaração foi feita durante um evento do Dominium Group, em Brasília.
“Vamos permitir que nossos companheiros integrem o governo, mas sem submissão. A independência é o melhor caminho”, afirmou Kassab.
A declaração ocorre em meio às articulações para a composição da próxima gestão federal. No governo atual, o PSD comandou os ministérios da Agricultura, de Minas e Energia e da Pesca. Nos bastidores, a legenda espera que a neutralidade adotada no segundo turno seja considerada nas negociações por espaço na Esplanada.
O partido manteve-se neutro após a derrota de Ronaldo Caiado no primeiro turno, diferentemente de outras siglas do Centrão que apoiaram Flávio Bolsonaro (PL) na etapa final da disputa.
Kassab também comentou a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro. Segundo ele, o conhecimento público dos candidatos e o comportamento do eleitorado durante a campanha influenciaram o resultado.
“Lula é um sênior da política às vésperas de se aposentar. O conhecimento sobre Flávio só ocorreu no segundo turno, quando os candidatos ficam expostos. Todos já conheciam quem é Lula”, declarou.
O dirigente afirmou que levantamentos internos de intenção de voto indicavam crescimento gradual de Lula desde o primeiro turno, enquanto Flávio teria apresentado estabilidade. Ele também avaliou que a estratégia de voto útil já havia atraído eleitores de candidatos mais próximos do bolsonarismo e que os votos restantes não migrariam automaticamente para o candidato do PL.
Kassab defende voto distrital misto
O presidente do PSD criticou o atual modelo de eleição para a Câmara dos Deputados e defendeu a adoção do voto distrital misto. Ao comentar o desempenho eleitoral de Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP), Kassab afirmou que a concentração de votos em candidatos com forte presença digital pode reduzir a relação direta entre parlamentares e comunidades locais.
“Isso faz com que não haja compromisso com a construção de projetos de políticas públicas melhores, e a gente acaba tendo um Congresso onde a prioridade é lacrar”, disse.
No sistema distrital misto, parte dos parlamentares é eleita em distritos eleitorais, enquanto a outra parte é definida pelo voto em partidos, conforme listas de candidatos. A proposta combina disputas locais com a representação proporcional das legendas.
Kassab afirmou que o PSD fechará questão a favor da mudança, o que significa orientar formalmente os parlamentares da sigla a apoiar a proposta.
“O PSD vai fechar questão pelo distrital misto. Quem não votar vai ser convidado a deixar o partido”, declarou.
A discussão ocorre em meio à expectativa de votação de uma reforma eleitoral pelo Congresso ainda neste ano. Segundo os dados apresentados no material, o PL elegeu 121 deputados federais e terá 29 representantes no Senado.
Presidente do PSD propõe mudanças no Judiciário
Kassab também defendeu uma reforma do Judiciário e apresentou propostas para alterar regras aplicáveis a integrantes dos tribunais superiores e a ex-integrantes dessas cortes.
Entre as medidas citadas, estão a fixação de idade mínima de 60 anos e mandatos de 12 anos para integrantes dos tribunais superiores. Ele também defendeu períodos de quarentena para restringir a atuação profissional e política após o exercício de funções públicas.
“Um denominador comum de grande chance de ser aprovado é a idade mínima de 60 anos com mandato de 12 anos para todos os tribunais superiores”, afirmou.
Kassab acrescentou que considera períodos de dois anos sem emitir pareceres, quatro anos sem advogar e oito anos sem disputar eleições. As propostas foram apresentadas durante o evento em Brasília.