Internacional

Netanyahu lidera apuração em Israel, mas oposição ameaça impedir maioria no Parlamento

Léo Carvalho

Publicado em 28 de outubro de 2026 às 10:32 | Atualizado há 1 hora

Netanyahu tenta garantir apoio parlamentar para permanecer no governo de Israel após eleições legislativas disputadas | Foto: Yonatan Sindel
Netanyahu tenta garantir apoio parlamentar para permanecer no governo de Israel após eleições legislativas disputadas | Foto: Yonatan Sindel

A coalizão do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, aparece à frente do bloco de oposição na apuração parcial das eleições legislativas realizadas no país. Dados divulgados nesta quarta-feira (28) pela Comissão Eleitoral Central indicam que o Likud, partido do premiê, e seus aliados somam 54 das 120 cadeiras do Parlamento, enquanto a oposição reúne 49. Os partidos árabes aparecem com 17 assentos.

Com 77% das urnas apuradas, o resultado ainda não assegura maioria parlamentar a nenhum dos principais blocos. Para governar com maioria no Knesset, o Parlamento israelense, são necessários pelo menos 61 deputados. A formação do próximo gabinete dependerá, portanto, das negociações entre as legendas.

As pesquisas de boca de urna apontaram uma disputa apertada. Segundo o Canal 12, o Likud deve conquistar 24 cadeiras, enquanto o Yashar, liderado pelo principal adversário de Netanyahu, Eisenkot, ficaria com 22. Nesse cenário, a oposição alcançaria 52 assentos, ante 50 dos aliados do atual primeiro-ministro. As listas árabes somariam 18 cadeiras.

A participação eleitoral chegou a 77,7%, segundo a Comissão Eleitoral Central, a maior desde 1999. O comparecimento expressivo ocorreu na primeira eleição desde os ataques do Hamas, em 7 de outubro de 2023, e as guerras subsequentes na Faixa de Gaza, no Líbano e no Irã.

Após a divulgação dos primeiros números, Netanyahu afirmou que o Likud é o maior partido do país e prometeu formar um governo forte de direita. O premiê também defendeu a união da maioria judaica e sionista e rejeitou a possibilidade de governar com apoio de partidos árabes.

Netanyahu declarou ainda que Israel tem uma oportunidade de atuar ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para eliminar o que classificou como ameaça existencial representada pelo Irã.

O principal adversário do premiê, Eisenkot, interpretou os resultados iniciais como um sinal de falta de confiança no atual governo e prometeu trabalhar para substituí-lo. Já o chanceler Gideon Saar, do Likud, afirmou que as comemorações da oposição eram prematuras.

O presidente da Lista Conjunta Árabe, Yousef Jabareen, sinalizou abertura para negociações com os partidos contrários a Netanyahu. Em declaração ao Canal 13, ele afirmou que qualquer grupo interessado em construir uma alternativa ao atual governo precisará dialogar com sua legenda.

Em Israel, os eleitores escolhem listas partidárias, e não diretamente o primeiro-ministro. As cadeiras do Parlamento são distribuídas proporcionalmente aos votos, desde que os partidos superem a cláusula de barreira de 3,25%.

Depois da apuração, o presidente Isaac Herzog consulta os representantes das legendas e indica um parlamentar para tentar formar uma coalizão. A escolha não precisa recair sobre o líder do partido mais votado, especialmente quando não há maioria definida.

O parlamentar indicado dispõe inicialmente de 28 dias para negociar a formação do governo. O prazo pode ser prorrogado por até 14 dias. Caso a tentativa fracasse, a legislação prevê novas possibilidades de composição antes de uma eventual convocação de outra eleição.

Também existe a possibilidade de formação de um governo minoritário, sustentado por apoio parlamentar externo. Até que um novo gabinete seja constituído e obtenha a confiança do Parlamento, Netanyahu permanece no cargo.

A eleição foi realizada em meio a preocupações com o custo de vida, a segurança nacional, o alistamento militar de judeus ultraortodoxos e a responsabilização pelas falhas que permitiram os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023.

Naquele dia, o grupo palestino matou cerca de 1.200 pessoas e sequestrou 251, segundo os números citados no material sobre o conflito.

Netanyahu, que acumula mais de 19 anos no poder ao longo de diferentes períodos, busca permanecer à frente do governo com o apoio de partidos religiosos e de extrema direita. O premiê apresenta as operações militares em Gaza, no Líbano e contra o Irã como demonstrações do fortalecimento da segurança israelense.

Seus adversários, por outro lado, cobram uma investigação sobre as falhas de segurança que antecederam os ataques de outubro de 2023.

Eisenkot, de 66 anos, foi chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Israel e integrou como observador o gabinete de guerra de Netanyahu. Ele deixou o grupo após criticar a condução do conflito.

À frente do Yashar, o opositor defende uma investigação sobre os ataques, mudanças nas regras do serviço militar e a independência do Judiciário. Apesar das divergências com Netanyahu, também rejeita a criação de um Estado palestino e defende o desmantelamento da capacidade militar do Hamas.

A definição do próximo governo dependerá da distribuição final das cadeiras e da capacidade dos partidos de estabelecer acordos. Enquanto nenhum bloco alcançar os 61 assentos necessários, as negociações com legendas menores, incluindo os partidos árabes, poderão ter papel determinante no futuro político de Israel.


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