Internacional

Democratas conquistam maioria na Câmara e no Senado dos EUA e impõem derrota a Trump

Léo Carvalho

Publicado em 4 de novembro de 2026 às 12:00 | Atualizado há 2 horas

Democratas conquistaram maioria nas duas Casas do Congresso americano nas eleições de meio de mandato | Foto: RONALDO SCHEMIDT
Democratas conquistaram maioria nas duas Casas do Congresso americano nas eleições de meio de mandato | Foto: RONALDO SCHEMIDT

O Partido Democrata conquistou o controle das duas Casas do Congresso dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato realizadas na terça-feira (3). O resultado representa uma mudança significativa na composição do Legislativo americano e reduz a margem de atuação do presidente Donald Trump, que terá de enfrentar uma oposição fortalecida nos dois últimos anos de seu governo.

Com a apuração ainda em andamento na manhã desta quarta-feira (4), os democratas somavam 228 das 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, contra 139 dos republicanos. No Senado, a oposição alcançou 54 assentos, considerando dois parlamentares independentes que atuam alinhados ao partido, enquanto os republicanos tinham 44. Os números divulgados ainda eram parciais.

A vitória democrata superou as expectativas de parte das projeções anteriores à votação e ficou conhecida como “onda azul”, referência à cor tradicional do partido. A mudança de maioria nas duas Casas permite que a oposição tenha maior influência sobre a tramitação de projetos, a aprovação de indicações para cargos públicos e a fiscalização das ações do governo federal.

A reação de Trump veio ainda durante a apuração. Em publicação na própria rede social, o presidente afirmou que seu nome não estava nas cédulas eleitorais e sustentou que, caso estivesse, os republicanos teriam vencido de forma expressiva.

Em entrevista ao jornal The New York Times, Trump também declarou estar disposto a aceitar o resultado e trabalhar com os democratas. O presidente afirmou que espera chegar a entendimentos com a oposição, apesar da mudança na correlação de forças no Congresso.

Uma das marcas da eleição foi o avanço democrata em estados que tradicionalmente apresentam forte presença republicana. No Texas, James Talarico, de 37 anos, venceu o procurador-geral Ken Paxton e conquistou uma cadeira no Senado. O resultado representa uma vitória expressiva em um estado que apoiou Trump na eleição presidencial de 2024.

Em Ohio, o democrata Sherrod Brown derrotou o republicano Jon Husted. No Kansas, Adam Hamilton venceu Roger Marshall. Já em Iowa, Josh Turek superou Ashley Hinson e conquistou a cadeira anteriormente ocupada pela republicana Joni Ernst, que não disputou a reeleição.

A Carolina do Sul também registrou uma mudança importante. A democrata Annie Andrews venceu a disputa contra a republicana Darline Graham, em um estado onde os democratas não elegiam um senador desde 1998.

Na Carolina do Norte, o ex-governador Roy Cooper derrotou Michael Whatley, candidato apoiado por Trump, e garantiu mais uma cadeira para os democratas. Em New Hampshire, Chris Pappas venceu o ex-senador John Sununu e ocupará a vaga deixada por Jeanne Shaheen, que decidiu não concorrer novamente.

A situação econômica esteve entre os principais assuntos da campanha. Pesquisas realizadas nas semanas anteriores à eleição apontaram o custo de vida como uma das maiores preocupações dos americanos, em um cenário de insatisfação com os preços dos produtos, os combustíveis e os efeitos das tarifas comerciais adotadas pelo governo.

A guerra contra o Irã também entrou no debate eleitoral e ampliou as críticas à condução da política externa americana. A insatisfação com essas questões contribuiu para enfraquecer o desempenho dos republicanos, segundo análises sobre o resultado.

Trump tentou mobilizar seus apoiadores com mais de 20 comícios desde o início de outubro, concentrados principalmente em estados onde havia conquistado vantagem na eleição presidencial de 2024. A estratégia, porém, não impediu o avanço democrata.

O histórico das eleições de meio de mandato também reforça a dimensão política do resultado. Desde a Segunda Guerra Mundial, o partido do presidente em exercício perdeu cadeiras no Congresso na maioria das eleições desse tipo, com poucas exceções.

O ex-presidente Barack Obama comemorou o desempenho dos democratas e afirmou que os eleitores enviaram uma mensagem clara nas urnas. Para ele, o resultado abre espaço para que o partido trabalhe por mudanças, tente impedir retrocessos e prepare o caminho para os próximos desafios políticos.

A nova composição do Congresso terá efeitos diretos sobre os dois anos restantes do mandato de Trump. Com maioria na Câmara e no Senado, os democratas ampliam sua capacidade de questionar decisões presidenciais, conduzir investigações sobre a administração federal e dificultar a aprovação de propostas do governo.


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