Política

Entrevista de Flávio Bolsonaro ao New York Times expõe contradições e frustra aliados

Estagiário Redação DM

Publicado em 6 de novembro de 2026 às 20:28 | Atualizado há 2 horas

Flávio Bolsonaro enfrenta questionamentos em entrevista | Foto: Reprodução
Flávio Bolsonaro enfrenta questionamentos em entrevista | Foto: Reprodução

A entrevista de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao jornal americano The New York Times, publicada na quinta-feira (05/11), provocou insatisfação entre apoiadores do senador. A expectativa de aliados era de que a conversa apresentasse ao público internacional sua versão sobre uma suposta perseguição política no Brasil. Entretanto, a reportagem adotou uma abordagem crítica e destacou contradições nas declarações do parlamentar, além da ausência de provas para algumas de suas acusações.

Um dos pontos centrais foi a saída de Flávio do Brasil. Questionado sobre os detalhes da viagem, o senador evitou revelar como deixou o país e negou qualquer auxílio de pessoas ou governos. “Como eu saí do Brasil, isso eu levarei para o túmulo”, afirmou. A frase ganhou destaque na publicação, que recuperou informações anteriores sobre a possível participação de um funcionário do governo Donald Trump e de uma pessoa próxima à família Bolsonaro na organização da aeronave que levou os familiares da Argentina para a Flórida. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, por sua vez, havia declarado que não existiu uma operação institucional dos Estados Unidos para facilitar o deslocamento.

A entrevista, conduzida pela jornalista Ana Ionova, também abordou as acusações de fraude nas eleições presidenciais de outubro de 2022. Flávio classificou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como matematicamente impossível, mas não apresentou evidências que sustentassem a suspeita. O New York Times lembrou que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou as alegações de irregularidades, enquanto observadores internacionais reconheceram a integridade do processo eleitoral. O próprio PL aceitou oficialmente o resultado das urnas.

Ao ser questionado sobre a falta de provas, o senador respondeu: “Tenho minhas suspeitas”. Na sequência, admitiu a dificuldade de reverter o resultado eleitoral e declarou: “Perdi para o sistema”. As respostas contrastaram com a expectativa de aliados, que enxergavam na entrevista uma oportunidade de ampliar a influência política de Flávio no exterior.

O comentarista Paulo Figueiredo, um dos apoiadores que mais apostaram na repercussão positiva da conversa, havia anunciado a publicação como “a entrevista que a Globo teve medo de fazer”. Depois da divulgação, a postura do jornal americano recebeu críticas de setores bolsonaristas, insatisfeitos com o espaço concedido aos questionamentos sobre as versões do parlamentar.

Apesar da repercussão, Flávio afirmou que pretende continuar na disputa política e declarou que retornará ao Brasil para concorrer novamente à Presidência caso novas eleições sejam convocadas. O senador está autorizado a permanecer nos Estados Unidos com a família por pelo menos um ano e pretende manter contato com aliados brasileiros durante esse período.

Na noite de quinta-feira (05/11), Flávio e Eduardo Bolsonaro participaram de um encontro conservador da CPAC, na região de Miami. O evento também contou com a presença do ator Jim Caviezel, integrante do elenco de Dark Horse, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.


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