Política

Senado paraguaio aprova impeachment de Santiago Peña em meio à crise do Banco Ueno

Estagiário Redação DM

Publicado em 6 de novembro de 2026 às 20:26 | Atualizado há 41 minutos

Senado aprova destituição de Santiago Peña em meio às acusações que envolvem o Banco Ueno | Foto: Reprodução
Senado aprova destituição de Santiago Peña em meio às acusações que envolvem o Banco Ueno | Foto: Reprodução

O Senado do Paraguai aprovou, nesta sexta-feira (06/11), o impeachment do presidente Santiago Peña, após acusações de participação em irregularidades relacionadas ao Banco Ueno. A votação terminou com 44 parlamentares favoráveis e uma abstenção, número suficiente para alcançar os dois terços necessários à destituição. A Câmara dos Deputados havia autorizado a abertura do processo na quinta-feira, mesmo após a renúncia de Peña ao cargo.

A iniciativa partiu de 35 deputados, que atribuíram ao presidente supostas ações em benefício da instituição financeira. Peña manteve participação acionária no grupo controlador do banco até 2025 e foi acusado de alterar regras sobre conflito de interesses, além de permitir que bilhões de guaranis em garantias do Instituto de Segurança Social (IPS) fossem concentrados no Ueno, em desacordo com os limites legais.

O presidente não compareceu presencialmente à sessão do Senado e foi representado pelos advogados Ricardo Preda e Adolfo Ferreiro. A defesa solicitou mais 72 horas para apresentar seus argumentos, mas o pedido foi negado pelos parlamentares.

As acusações também envolveram a nomeação de Carlos Cavallo para a presidência do Banco Central do Paraguai. Segundo os deputados, Peña não priorizou o interesse público ao escolher um nome que ocupava um cargo em uma empresa relacionada ao Ueno. Cavallo deixou a função após a crise financeira e os protestos registrados no país.

O Banco Ueno foi dissolvido pelo Banco Central na terça-feira (03/11), medida que deixou milhares de paraguaios sem acesso ao dinheiro depositado na instituição. Considerado o maior banco digital do país, possuía aproximadamente 2,9 milhões de clientes, o equivalente a 40% da população paraguaia.

Além do processo político, Peña também passou a ser alvo de uma investigação formal do Ministério Público. As autoridades apuram possíveis vínculos do presidente com o banco e suspeitas de enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, corrupção, fraude administrativa e tráfico de influência.


Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia