Mês da mulher – pouco a comemorar
Redação DM
Publicado em 16 de março de 2023 às 16:03 | Atualizado há 4 anosA mulher, apesar da evolução de sua presença na moderna sociedade, ainda está sujeita a forte discriminação, indevidamente camuflada e justificada pelos aspectos culturais dos povos que habitam os mais remotos rincões do planeta.
No mundo ocidental a diferença é menos acentuada, mas ela ainda está presente em alguns aspectos, um deles é o salarial, onde, com mesma função e competência, a mulher tem menores rendimentos.
Particularmente no nosso querido Brasil, apesar de muito melhor do que já foi, se tem uma sociedade acentuadamente machista, espelhada em todos os aspectos, a começar pela tenebrosa violência doméstica.
O pai ao anunciar o sexo da criança é alvo de efusivos cumprimentos, quando anuncia aquela clássica palavra: “tem vírgula”.
Nas brincadeiras entre amigos, quando o pai é engenheiro recém-formado, ao noticiar que a criança é uma filha, vem o consolo: “não se preocupe, a primeira obra sempre trinca”. Nas divergências profissionais, os engenheiros querendo menosprezar o arquiteto sempre dizem: “quem projetou a mulher foi o arquiteto, porque colocou a área de lazer perto do esgoto”. Tivemos até um ex-presidente, pai de quatros mancebos e uma filha, dizendo que ela assim nasceu, por ter fraquejado no momento de sua concepção.
Mesmo com algum avanço, no meu ponto de vista, ainda considero a mulher uma sobrevivente em um mundo cuja sociedade foi criada exclusivamente pelo e para o homem.
Orivaldo Jorge de Araújo. Engenheiro civil, ex-professor da UFG e bacharel em direito.