Desde a eleição, preço da gasolina sobe pela sexta semana consecutiva
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Publicado em 23 de novembro de 2022 às 11:46 | Atualizado há 4 anos
O preço da gasolina subiu pela sexta semana consecutiva nos postos
brasileiros, voltando a ultrapassar a barreira dos R$ 5,00 por litro.
Entre 13 e 19 de novembro, o preço médio do litro do combustível subiu
0,6%, para R$ 5,05, contra R$ 5,02 na semana anterior. Desde o início da
sequência de altas, pouco antes do segundo turno das eleições, o
produto acumula nas bombas alta de 5,4%, ou R$ 0,26 por litro.
O levantamento semanal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e
Biocombustíveis (ANP) revela que os aumentos mais recentes se devem,
sobretudo, à alta de preços do etanol anidro, puxado pela valorização do
açúcar, matéria-prima do insumo. O produto compõe 27% da mistura da
gasolina.
O litro do etanol anidro passou de R$ 2,83, em 11 de setembro, para
R$ 3,29 em 11 de novembro, com alta acumulada de 16,1%. Nos postos, o
etanol hidratado também tem sentido a pressão e subiu 12,5%, passando de
R$ 3,37 em setembro para R$ 3,79 na semana passada. Aos poucos, esses
aumentos vão sendo repassados ao preço final da gasolina, e Jair
Bolsonaro já não mais se importa.
Desde o início de setembro, a Petrobrás, pressionada pelo futuro
ex-presidente, não mexe nos preços de venda das refinarias. Para ajudar o
então candidato à reeleição, a estatal “congelou” sua política de Preço
de Paridade de Importação (PPI), chegando a operar com defasagens em
relação às cotações internacionais.
Nas semanas anteriores, “aumentos pontuais no preço da gasolina
realizados por refinarias privadas, importadores e varejistas também
contribuíram para a alta recente do preço médio da gasolina”, aponta
Antonio van Moorsel, diretor do Advisory e sócio da Acqua Vero
Investimentos, no ‘Money Times’.
Mas os sinais foram invertidos na abertura do mercado global desta
segunda-feira (21). As cotações do petróleo caíam para o nível mais
baixo desde o início do ano (US$ 88 o barril “brent”). Agora, conforme a
Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o
preço médio da gasolina nas refinarias brasileiras está 3% acima da
paridade internacional, ou R$ 0,08 por litro.
Já o preço do gás de cozinha não refletiu o corte de 5,3% promovido
pela Petrobrás em suas refinarias na semana passada. Segundo a ANP, o
botijão de 13 quilos foi vendido no país, em média, a R$ 110,19 na
semana passada, valor apenas 0,2% inferior ao verificado na semana
anterior.
Para van Moorsel, as altas consecutivas da gasolina tentem a
pressionar ainda mais a inflação, que voltou a subir entre o primeiro e o
segundo turno das eleições. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor
Amplo (IPCA) de outubro interrompeu um período de queda, puxado pelas
manobras eleitoreiras de Bolsonaro, avançando 0,59%.
“Em contraste às desonerações fiscais, cujo efeito deflacionário foi
observado de julho a setembro, a sexta alta semanal consecutiva no preço
da gasolina tende a contratar mais pressão inflacionária”, afirma o
analista em relatório. “Portanto, representa um vetor altista no balanço
de risco da inflação, em função da transmissão ao longo da cadeia.”