A crise na UFG não é culpa da greve
Redação DM
Publicado em 13 de agosto de 2015 às 21:54 | Atualizado há 11 anosO reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Orlando Afonso do Amaral, convocou de forma extraordinária, em plena greve de servidores e professores, reunião da Assembleia Universitária para tratar de um dos problemas atuais mais graves da instituição: cortes de recursos e a dimensão da greve e seu comprometimento no semestre letivo.
É uma ótima oportunidade para que a comunidade conheça de fato a situação pela qual passa atualmente a UFG após o corte de 10 milhões de reais no orçamento de custeio da instituição feito pelo Governo Federal.
No entanto, um ponto merece destaque nesta convocação: a chamada visa discutir a atual situação da universidade em vista duas greves em andamento (servidores docentes e administrativos), o que dá a entender que se as greves perdurarem o semestre poderá ser suspenso, o que não é verídico.
Caso o semestre letivo seja suspenso não será pela greve dos professores ou dos técnicos, mas sim pela falta de recursos que possibilitem dar continuidade às atividades de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidas pela instituição, como já é público e notório desde o final do semestre passado, com a dificuldade de pagamento de fornecedores e empresas terceirizadas.
Atribuir aos trabalhadores em greve, professores e técnicos, a responsabilidade por suspender o semestre letivo é uma leviandade sem tamanho. Tais categorias vêm tocando suas atividades apesar de todas as adversidades e condições precárias de trabalho (técnicos de laboratório têm que comprar seus próprios EPIs, pois a instituição não fornece). O que a comunidade precisa saber de fato é o tamanho do rombo na UFG, como surgiu e se é possível superá-lo. E não são duas greves que reivindicam melhorias que vão atrapalhar o andamento das atividades, isso já está ocorrendo, o que precisamos é unir forças para superar esse quadro e não procurar culpados entre os que não se conformam e gritam por melhoras.
(Roberto Ferreira Tavares, técnico administrativo em Educação – Universidade Federal de Goiás, mestrado em Educação – Regional Catalão)