Economia

Entrada de dólares no Brasil atinge maior nível para um primeiro semestre desde 2018

Léo Carvalho

Publicado em 9 de julho de 2026 às 14:44 | Atualizado há 1 hora

Entrada de recursos do exterior fortaleceu o real no primeiro semestre | Foto: Brazil Journal
Entrada de recursos do exterior fortaleceu o real no primeiro semestre | Foto: Brazil Journal

O Brasil registrou uma forte entrada de dólares no primeiro semestre de 2026. Dados do Banco Central mostram que o fluxo cambial ficou positivo em US$ 17,78 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 91 bilhões, representando o melhor desempenho para o período desde 2018, quando a entrada líquida alcançou US$ 22,52 bilhões, em valores nominais, sem considerar a inflação.

O resultado representa uma mudança significativa em relação ao ano passado. No primeiro semestre de 2025, o país registrou a maior saída de recursos da série histórica do Banco Central para o período, com saldo negativo de US$ 14,34 bilhões.

A melhora foi impulsionada principalmente pelo aumento das exportações, favorecidas pelos preços mais elevados do petróleo, além da retomada do fluxo de investimentos estrangeiros. A redução dos juros nos Estados Unidos e as incertezas envolvendo o governo de Donald Trump também levaram investidores internacionais a ampliar a exposição em mercados emergentes, como o Brasil.

Com maior entrada de moeda estrangeira, o real ganhou força frente ao dólar. Em 2026, a moeda americana acumula queda de aproximadamente 6%, sendo negociada em torno de R$ 5,12. No mercado de ações, o Ibovespa também apresenta desempenho positivo, com alta de 5,9%, alcançando os 172 mil pontos.

Apesar do bom desempenho no primeiro semestre, analistas avaliam que o cenário tende a mudar nos próximos meses. A expectativa é de que tanto os juros americanos quanto a taxa Selic brasileira permaneçam elevados por mais tempo do que se previa anteriormente. Além disso, fatores como a continuidade das tensões no Irã e a aproximação das eleições presidenciais brasileiras devem aumentar a aversão ao risco entre investidores.

Os sinais dessa mudança já começaram a aparecer em junho. Segundo relatório do Itaú BBA, o segmento financeiro continuou registrando saídas líquidas de recursos, indicando perda de força no financiamento externo após o agravamento das tensões no Oriente Médio.

Diante desse cenário, o banco revisou suas projeções para o câmbio. A estimativa para o dólar ao fim de 2026 passou de R$ 5,15 para R$ 5,30, enquanto a previsão para o encerramento de 2027 foi elevada de R$ 5,35 para R$ 5,50.

O BTG Pactual também revisou suas expectativas nesta quarta-feira (8), elevando sua projeção para o dólar no fim de 2026 de R$ 4,90 para R$ 5,40.

Segundo os economistas do banco, a mudança decorre principalmente do fortalecimento da economia americana. Dados recentes mostram atividade econômica e mercado de trabalho mais aquecidos do que o esperado, enquanto a inflação segue resistente, cenário que pode levar o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, a manter uma política monetária mais rígida.

Para os próximos meses, o BTG avalia que o Brasil ainda deverá receber uma nova rodada de entrada de dólares por meio da balança comercial. No entanto, do lado financeiro, a expectativa é de que a volatilidade permaneça elevada, aumentando as oscilações da taxa de câmbio.


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