Política

Flávio chama Lula de “lambe-botas da China” e propõe acordo comercial

Fernando Henrique - Estágio DM

Publicado em 8 de julho de 2026 às 13:01 | Atualizado há 2 horas

Flávio Bolsonaro durante transmissão nas redes sociais em que criticou o governo Lula e apresentou proposta de livre comércio nas Américas | Foto: Evaristo Sá/FOLHAPRESS
Flávio Bolsonaro durante transmissão nas redes sociais em que criticou o governo Lula e apresentou proposta de livre comércio nas Américas | Foto: Evaristo Sá/FOLHAPRESS

O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato ao Planalto, disse que o presidente Lula (PT) é lambe-botas da China e afirmou que vai propor ao governo Donald Trump a criação de uma zona de livre comércio nas Américas — ele mencionou a sigla Afta (Americas Free Trade Agreement) para o acordo.

“Vim [aos EUA] proteger o Brasil das tarifas e também do Lula. Todo mundo tá vendo o vexame que o Lula tá sendo na arena internacional, alguém que a todo momento ataca os Estados Unidos, faz questão de dizer que é antiamericano”, disse Flávio, numa transmissão nas redes sociais.

“Ele [Lula] coloca a ideologia acima dos interesses do povo brasileiro, é isso que ele está fazendo. A todo momento lambe as botas da China e taca pedra nos EUA”.

Audiência sobre tarifas nos Estados Unidos

Flávio participou na terça-feira (7) de uma audiência pública no USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) no âmbito da investigação comercial contra o Brasil. O órgão americano propôs a imposição de um tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros, e uma recomendação definitiva deve ser feita até 15 de julho.

A previsão inicial era que Flávio retornasse ainda na terça ao Brasil, mas ele anunciou o adiamento para cumprir reuniões na capital americana. O parlamentar não detalhou com quem irá se encontrar.

Na transmissão, Flávio disse que há informações de bastidores indicando que a sobretaxa será efetivamente sugerida pelo USTR. “Já é uma coisa que tá todo mundo falando. Cabia a mim ali fazer uma defesa técnica e também política — eu fiz a defesa técnica e tentando os argumentos que vão sensibilizar o governo americano”, afirmou.

Proposta de livre comércio para as Américas

Em outro momento, o senador disse que vai defender junto a autoridades americanas a criação de uma zona de livre comércio nas Américas, numa proposta que faz eco à tentativa dos americanos de criar a Alca na década de 1990 e no início dos anos 2000.

“Eu pretendo juntar minha parte técnica para falar o seguinte: não tem o Nafta? O que é o Nafta? É o North American Free Trade Agreement, é um acordo de livre comércio da América do Norte. A sigla mudou para USMCA, que é United States, Mexico and Canada. Eles apenas mudaram a sigla, mas continua sendo a essência, eles apenas evoluíram em alguns setores na área de livre comércio entre esses três países […]”.

“Ao invés do antigo Nafta, a gente pode cortar essa letrinha N e passar a usar o Afta — o Acordo de Livre Comércio das Américas. Aonde o Brasil pode sim incluir. As nossas economias, EUA e Brasil, são complementares. A gente tem uma avenida de oportunidade para trazer investimentos americanos para cá”, disse.

O senador citou ainda o recente acordo comercial firmado entre a Argentina e os EUA e disse que o país governado pelo ultraliberal Javier Milei poderia ser incluído na proposta.

“Essas reuniões de manhã [desta quarta] podem ser importantes também. Eu vou levar essa questão da possibilidade de ter uma Área de Livre Comércio das Américas. Não apenas entre EUA, México e Canadá, é algo que o Brasil pode ser incluído. A gente pode conversar para a Argentina vir junto também — é um mercado consumidor muito grande”, declarou. (Isabella Menon/Ricardo Della Coletta/FOLHAPRESS)


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