Brasil

A educação conforme a legislação civilista brasileira tem início em casa, a escola é apenas complemento

Redação DM

Publicado em 26 de agosto de 2015 às 21:56 | Atualizado há 11 anos

Educar significa ensinar, preparar alguém para viver em sociedade. Infelizmente muitos genitores acreditam que a escola é a única responsável por educar seus filhos, ledo engano! A educação deve ter início em casa,com os ensinamentos dos pais, a sabedoria em dizer “Não” nas horas necessárias e o “Sim” com limites quando lhes for conveniente.

A ausência da chamada “educação de berço” tem prejudicado não somente docentes em todos os seus patamares do magistério, mas principalmente os filhos dessa referida ausência. O que mais se percebe é a falta de respeito com os colegas de sala de aula e com os servidores administrativos no que concerne à utilização de palavrinhas mágicas, tais quais: “Por favor, obrigada, licença”, que a priori podem parecer aos que preferem não enxergar a verdade,uma fase de rebeldia ou timidez no crescimento. Digo apenas parecer, porque a realidade demonstra outros agravantes.

A educação não é responsabilidade exclusiva do professor, esse por sua vez tem como função a arte de ensinar, mas quando falamos em escola, tal arte deve ser encarada como um complemento e não obrigatoriedade primordial. O docente é um colaborador no processo educacional, na elaboração de idéias e constituição de princípios.

Muitos pais optam por não auxiliarem e até mesmo acompanharem seus filhos na vida escolar, deixando-os sob os olhos exclusivos da pedagogia, fugindo consequentemente de um dos seus deveres mais importantes: ser, estar presente em todas as situações cotidianas. As presenças materna  e paterna são de suma importância na formação do caráter,na segurança que necessita o processo ensino-aprendizagem.

Aprendemos com exemplos,por intermédio de questionamentos e diálogos. Se em casa não se tem essas ações, o futuro inevitavelmente não abraçará atitudes cruéis sem aplicar a Lei da Ação e Reação. Sofrerão pais por não terem cumprido com suas obrigações, os próprios filhos se colocarão em uma posição contrária aos mesmos, não aceitando limites e condições! E a culpa?! Com certeza não poderá ser atribuída  a esses filhos.

A rebeldia, por exemplo, nada tem haver com mudanças hormonais, mas sim com o despreparo de jovens que não conhecem a educação e que ao terem adentrado a escola, jamais viram-na como seu segundo lar. O que fazemos em casa, tendemos a repetir em outros locais.

Sem respeito aos pais e professores como lidar com tamanha tirania? Educação, guarda, amparo são deveres jurídico e moral dos genitores, conforme o Código Civil Brasileiro. O poder familiar, que pode ser definido como o dever de cuidado, de educação, criação no que tange aos filhos menores, requer conduta séria e definida. Não estamos aqui menosprezando as instituições escolares, jamais, porém dizendo que as mesmas não devem gerir tamanho papel como única incumbência, não lhes é pertinente. O poder familiar é inerente aos pais, sendo que na ausência ou na impossibilidade de um deles, o outro deverá exercê-lo com exclusividade.

(Kelly Lisita Peres, graduada em Direito e pós-graduada em Direito Civil, Direito Penal, Processo Penal e Docência Universitária)

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