Brasil

A educação é réu na crise econômica?

Redação DM

Publicado em 18 de dezembro de 2015 às 22:20 | Atualizado há 11 anos

Qual pai não se preocupa com o futuro educacional de seus filhos?

E quando se fala em ensino público, aquilo que a maioria das famílias brasileiras destina aos seus filhos, o que se esperar? Vejo ações de alguns governos para “melhorar” o ensino público. O governo paulista, a fim de reduzir os custos operacionais de escolas ociosas, propõe remanejar alunos. O governo goiano pretende “privatizar” o ensino público estadual, por meio de uma estranha nomenclatura: OS (Organizações Sociais privadas). Acho positivo quando há mudanças que beneficiam o aprendizado do aluno. Que reforça a capacitação do corpo docente e que modernizam as estruturas prediais destas escolas. No entanto não tem sido por ai. A intenção dos governos, ao que tudo indica, é reduzir gastos, enxugar as secretarias de educação e ai remanejar a verba para, sabe lá onde. Neste momento de crise econômica, sutilmente, os governos criam artifícios para reduzir despesas e enxugar a máquina. E nada melhor que uma área que não ajuda os políticos nas urnas.

O brasileiro é fascinado pelo padrão americano de viver. Por que não buscar o que eles têm de melhor, o ensino? E esquecer o consumismo, que eles têm, também, de melhor? A secretária de Educação do Estado de Goiás, Raquel Teixeira, tem levado a bandeira das tais OSs por todo o estado. Segundo ela, a ideia é tornar as escolas estaduais mais centradas nas questões pedagógicas. Deixando a gestão administrativa para as empresas privadas. Essas empresas também contratariam os novos docentes, uma vez que, segundo ela, nada muda aos professores estáveis. O que pode ser o fim de concursos públicos para a educação do estado.

A ideia, de tão simples e óbvia, oculta algo bem maior, que a gente não enxerga. O que de verdade o governo quer com as OSs? Afinal, empresa visa o lucro. Pode ser o fim iminente do ensino público gratuito. Pode ser o começo do fim do funcionalismo público, como conhecemos? Tais OSs vão se estender para outras áreas públicas, como saúde, transporte e sabe lá mais onde? E mais preocupante fico quando o vice-presidente Michel Temer, afirma, num encontro com empresários paulistas, o fim dos gastos obrigatórios com saúde e educação. Coisas de nossa Constituição de 1988, mas presente no documento de seu partido. Os empresários aplaudiram de pé. Já que estavam diante de um iminente presidente da república.  Só lamento que a população não seja informada dos verdadeiros objetivos políticos em decisões que mexem com todos nós…

Em São Paulo, a nova reorganização escolar foi por água. Devido, em parte, a ocupação das escolas pelos alunos descontentes. O governo paulista lançou a ideia em setembro de 2015 para ser implantada já em janeiro de 2016. Sem qualquer dialogo com a parte mais importante: alunos, pais e docentes. Agora, em Goiás, alunos, também manifestam contra as OSs, também, pela falta de informação e tempo para se conhecer a real intenção de nossos governantes.

 

(Lenildo Cruz Fonseca Paiva, corretor de imóveis – [email protected])

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