A lâmina do machado
Redação DM
Publicado em 7 de junho de 2016 às 02:39 | Atualizado há 10 anos
O sujeito que estava oculto e praticamente no ostracismo, surgiu de repente como vindo do nada, e ostensivamente audacioso; passou a jogar um montão de coisas no ventilador, deixando os parlamentares da Câmara e do Senado em polvorosa, cismados até com a própria sombra.
E a pergunta que se faz é: será se esse Machado está sozinho nessa fita, sendo o único sobrevivente daquele tentáculo da Petrobras, com tal quantidade de coelhos escondidos na cartola, ou será se ele é só uma amostra, e, daquela moita ainda sairão outros bichos?
Seja como for, o Machado se mostrou perigosamente cortante, e, vem torando raivosamente os troncos mais grossos de um capão de mato de nome PMDB, uma reserva emaranhada de um cipoal complexo, resultante das mil e uma embrulhadas criadas pelo desgoverno do Partido dos Trabalhadores, que passou feito a um trem desgovernado, onde a condutora não dispunha de um navegador e, nem mesmo era habilitada, e que depois de esbarrar em tantos barrancos, foi intimada a apear da cabine de comando, antes que o comboio despencasse pelo abismo.
Aí entra em cena a filha malvada da Petrobras – Transpetro – que bota a boca no mundo alardeando aos quatro ventos pela voz do seu ex-patrão, dando nome aos inúmeros bois que pastaram naquela invernada e engordaram às expensas do suor do povo, alimentados pelas mãos do próprio capataz que hoje os denunciam.
E parece que o Machado veio com função específica e encomendada, com a responsabilidade de desmatar por inteiro a restinga remanescente da fazenda petista, ao jeito de uma vingança de quem não conformado com o despejo, busca atrapalhar o replantio do que foi desmatado, mas, propositalmente ou não, e de modo salutar, ceifando as árvores de cernes apodrecidos que, se dependentes unicamente da força do vento, ainda demorariam muito para quedarem tombadas.
Mas esse Machado veio mesmo a calhar e como caído do céu, bem no momento aprazado de pôr alguns pingos nos is e separar o joio do trigo, e que sem a contribuição que ora nos dá, certamente jamais teríamos como saber quem são os fulanos, sicranos e beltranos, que travestidos de bons moços, corrompem, ursupam e saqueiam a nação.
(Durval Campos, escritor (poeta e prosador) residente em Goianira-GO)